31 de julho de 2012

Se eu fechar os olhos agora - Edney Silvestre


Livro: Se eu fechar os olhos agora
Autor: Edney Silvestre
Editora: Record
Ano: 2010

Sinopse:
Numa pequena cidade da antiga zona do café fluminense, em abril de 1961, no dia em que Yuri Gagarin saiu da órbita terrestre, descortinando um universo de possibilidades para a humanidade, dois meninos de 12 anos de classe média baixa, um filho de ferroviário, outro de açougueiro, encontram o corpo de uma linda mulher, que foi morta e mutilada, às margens de um lago onde vão fazer gazeta. Eles não aceitam a explicação oficial do crime, segundo a qual o culpado seria o marido, o dentista da cidadezinha, motivado por ciúme. Ele era frágil demais para o ato necessário a tanta devastação. Começam uma investigação ajudados por um velho que mora no asilo da cidade, um ex-preso político da ditadura Vargas. Acabam descobrindo não só a verdade sobre o crime mas também toda a hipocrisia de uma cidade de coronéis que, mesmo numa época em que o Brasil caminha para a industrialização, tentam a qualquer custo manter o poder absoluto. Para os meninos, um terrível caminho de amadurecimento e chegada à vida adulta.

Comentários:
Esse foi um livro que tive um pouco de dificuldade para ler, e sinto que essa era a intenção da narrativa, chocar e criar lacunas onde a leitura se quebrava para dar lugar ao espanto ou a indignação. 
“Se eu fechar os olhos agora” vai contar a história de dois amigos Paulo e Eduardo, duas crianças que moram em uma cidade do interior do Rio de Janeiro e um dia enquanto se divertiam à beira de um lago encontraram o corpo de uma mulher, Anita, que tinha sido brutalmente assassinada e deixada no local. As crianças acabam se tornando suspeitas (de uma forma pouco convincente) deste assassinato até o marido da vítima se entregar à polícia confessando o crime (de uma maneira ainda menos convincente) e isso deixa os garotos intrigados e decidem começar a investigar o caso com a ajuda de um senhor, Ubiratan, eles irão atrás do que realmente aconteceu, porém encontraram situações e segredos que suas mentes, ainda infantis, não conseguem absorver de um todo. Política, sexo, relações sociais e tratamento a mulher, tudo isso está misteriosamente ligado a esse crime. 
Como disse anteriormente tive dificuldades para ler este livro pois a narrativa é feita de ângulos diferentes intercalando o ponto de vista dos garotos, que até um certo estágio mantém sua inocência e falta de malícia porém vão crescendo, amadurecendo durante a história, com o ponto de vista de Ubiratan, um senhor experiente e o do narrador e nesse momento os atos são narrados explicitamente conforme as descobertas são feitas. O livro mostra de uma maneira clara um crime que pode na verdade ser a representação de movimentos e eventos maiores que aconteciam ao Brasil as relações políticas e de poder da época (1961, não tão longe se pensarmos bem) e como as mulheres eram tratadas (no caso maltratadas, não possuíam voz, vontade, em suma, não eram ninguém). Uma leitura densa que não recomendo para todas as idades. 

“Se eu fechar os olhos agora, ainda posso sentir o sangue dela grudado nos meus dedos. E era assim: grudava nos meus dedos como tinha grudado nos cabelos louros dela...” pg 7.

“– Cada vez que eu falo uma coisa para você, você me faz pensar em outra coisa, mais na frente. 
-Que bom. 
-Que bom, por quê? Eu fico com a cabeça cheia de perguntas, só isso.
-Melhor do que ficar com ela cheia de respostas. Boa noite, Paulo.” Pg 210.

1 comentários:

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