25 de novembro de 2012

[Evento] III Fecon


O III Fecon é um encontro para debater as tendências do futuro baseado no que está acontecendo atualmente, e nesse encontro o tema foi o futuro da narrativa. 
Organizado pela parceria da Universidade Cruzeiro do Sul e da Editora Terracota, realizado na Biblioteca Viriato Correa, no dia 24 de novembro (sábado), e com o palestrante Bráulio Tavares, muitas perspectivas futuras foram debatidas. 
Tavares acredita que há três aspectos literários: a história, o estilo e o método, sendo que as inovações e o futuro literário se darão nesses parâmetros. Ele também afirmou que para tendências futuras é necessário expandir as fronteiras da literatura, na verdade, do o que é considerado literatura. 
A partir desse ponto, Bráulio discutiu várias tendências literárias que já começaram a demonstrar suas formas atualmente. 
A primeira já é algo muito utilizado em antologias, que é a narrativa guiada por uma limitação arbitrária para o autor desenvolver sua escrita, sendo essa limitação tanto no tema como na forma da narrativa. As antologias escolhem temas para os contos que serão inscritos, mas não há apenas os limites de temas. Porém há algumas obras em que os próprios autores se propõem um limite, um desafio, como o livro “O Castelo dos Destinos Cruzados”de Italo Calvino, em que a narrativa se deu conforme ele abria cartas de tarô e o livro “La Disparition” de Georges Perec em que ele se propôs a escrever um livro inteiro sem usar a vogal “e”, letra muito importante no francês, mostrando um desafio na forma da escrita.  
Outro exemplo foi de ideias um tanto quando “excêntricas”, para dizer o mínimo, como um autor que pegou uma edição de um jornal e mandou digitar e encadernar como um livro, defendendo que esse seria um romance. Outro encadernou seus extratos do cartão de crédito, e assim foram se seguindo os exemplos, um mais bizarro que o outro. 
Outra peculiaridade literária que foi comentada por Bráulio seria algo como uma “literatura secreta”, uma produção restrita a um grupo de conhecedores, que não visaria a comercialização. Além dessa, também haveria algo como uma “literatura aplicada à vida”, como as intervenções teatrais que ocorrem em público, alguém leria ou encenaria o trecho de um livro na rua, por exemplo. 
Também poder-se-ia trabalhar uma literatura gerada ao acaso como o projeto “n+7”, que seria algo como ter um trecho de um livro mais conhecido e a cada substantivo encontrado, abrir o dicionário e substituí-lo pelo sétimo substantivo subsequente, o que poderia gerar frases totalmente sem sentido ao algo até que genial, tudo dependeria do acaso. Nesse caso também está incluído o exemplo anterior do livro de Italo Calvino, que dependia do acaso da ordem das cartas de tarô para montar sua narrativa. 
E as últimas tendências comentadas já são bem utilizadas atualmente, a primeira é a fanfic, a arte de usar um plot de uma história já escrita para montar sua própria narrativa e a última é a alteração de obras já conhecidas, o que vêm acontecendo em livros como “Orgulho e Preconceito e Zumbis” ou “Dom Casmurro e os Discos Voadores”.
Há vários caminhos que a literatura pode tomar e como Bráulio Tavares finalizou a palestra “as possibilidade são infinitas”. 

1 comentários:

  1. Hmmm... Interessante essa tendência. Ela para mim soa como uma espécia de 'arte moderna' na literatura, ou 'arte abstrata', (não sei exatamente o termo) pois fogem completamente da tradicionalidade. Eu também sou uma escritura e, bem, não sei dizer se o que eu faço se enquadra nessa nova tendência criativa, mas, o meu livro, que se encontra em progresso no
    ****http://vitoriaeseudiario.blogspot.com.br/****
    faz uma intermitência entre a narração de um passado recente com a inserção de comentários a respeito do que estiver acontecendo, e isso é tudo registrado em um diário, por uma vampira (de verdade) adolescente. Não sei se é algo novo, provavelmente não... Mas enfim, gostei bastante do post. :)

    beijinhos

    http://vitoriaeseudiario.blogspot.com.br/

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