26 de dezembro de 2012

Clepsidra – Camilo Pessanha


Livro: Clepsidra
Autor: Camilo Pessanha
Editora: Editora Ulisseia
Ano: 1987 (ano da minha edição)
Comentários:
Tenho que dizer que este último tema do desafio literário foi o que se mostrou mais difícil para mim. Na minha adolescência eu tinha o hábito de ler poesias (na verdade adorava), mas com a faculdade acabei me dedicando aos romances e deixando a lírica de lado e retornar a esse estilo depois de tanto tempo se mostrou mais complicado do que eu esperava, porém também retomou meu interesse por poesias e uma das minhas metas para o próximo ano e aumentar a minha leitura de versos. 
O livro escolhido para o desafio foi o Clepsidra de Camilo Pessanha, um autor simbolista português do início do século XX. 
Esse livro é dividido em duas partes, na primeira podemos encontrar os seus sonetos e na segunda parte suas poesias de métrica livre, as características predominantes dos poemas são sentimentos de perda, dor, mágoa e tristeza que são bem representados em seus versos, como podemos perceber logo no poema de abertura:
 CAMINHO
I.
Tenho sonhos cruéis; n’alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...

Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...

Porque a dor, esta falta d’harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d’agora,

Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora."  p. 37

A clepsidra é um relógio de água e com essa simbologia o autor já aborda a questão da fluidez do tempo, que tudo passa e nada se fixa e com isso a solidão é uma outra característica abordada. 

“A fronte já sem rugas, distendidas 
As feições, na imortal serenidade, 
Dorme enfim sem desejo e sem saudade 
Das coisas não logradas ou perdidas.” p. 41

“Encontraste-me um dia no caminho
Em procura de quê, nem eu o sei.
— Bom dia, companheiro — te saudei,
Que a jornada é maior indo sozinho” p.38

O poeta usa de recursos linguísticos para reforçar seus temas como a repetições e o uso (quase excessivo) dos três pontos, como percebido no poema Branco e Vermelho.
De princípio tive dificuldades para me ligar às poesias, porém fui me adaptando e os versos acabaram me fazendo refletir sobre as questões tratadas. 
Os versos tem um tom depressivo e triste em muitos momentos, mas possuem uma beleza e uma reflexão profunda e tratando de temas que abalam e atormentam a muitos de uma maneira simples e quase universal. Os poemas são mais que lamurias, são constatações de verdades. 

“Fulgem as velhas almas namoradas... 
- Almas tristes, severas, resignadas, 
De guerreiros, de santos, de poetas.” p. 47 

“Das beiras dos telhados, 
Cair, quase morrer... 
Meus olhos apagados,
E cansados de ver.” p. 83 


2 comentários:

  1. É engraçado como deixamos mesmo algumas coisas boas de lado, assim como você também costumava ler muita poesia, o que acabou ficando de lado. Vou tentar me policiar em relação a isso. Aproveito para te desejar um ano novo repleto de realizações e cheio de paz, amor e saúde.
    Bjs, Rose.

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    1. É Rose, deixei tão de lado que nem percebi o quanto sentia falta rs. Obrigada, também lhe desejo um ótimo ano novo com tudo de bom e de melhor sempre, para você e sua família. Bjsssss

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