23 de novembro de 2014

[Teatro] O Homem de la Mancha



“Quando a vida perde o sentido, o que é a loucura?” 

Essa frase é uma das indagações que geram uma reflexão da nova montagem musical realizada pelo Sesi – O Homem de La Mancha – uma adaptação da famosa história de Dom Quixote de La Mancha. 
O musical traz como destaque um contraponto entre a loucura e a realidade indo além disso, sobrepondo uma a outra e gerando o questionamento sobre o que realmente seria loucura?

A adaptação vai trabalhar com duas linhas narrativas, a primeira é um hospício onde os internos seguem as ordens de outro louco intitulado como governador, nesse ambiente conhecemos Miguel de Cervantes (autor da obra Dom Quixote) que acaba de ser enviado para o hospício por enfrentar a igreja, e como regra do lugar vai passar por um julgamento em que o juiz será o governador, ele é acusado de ser um idealista, e como defesa irá contar uma história, uma peça de teatro em que todos os outros loucos e funcionários do hospício poderão atuar também. Nesse momento Cervantes começa a história de um fidalgo que após longos momentos de solidão e leituras de história de cavalaria enlouqueceu e começou a acreditar ser Dom Quixote de La Mancha, um cavaleiro. Com seu escudeiro Sancho Pança, Dom Quixote irá viver aventuras e ver o mundo totalmente do seu jeito, lutando contra moinhos de vento que para ele são gigantes, hospedando-se em uma hospedaria que julga ser um castelo e se apaixonando por Aldonza funcionaria da hospedaria e prostitua, mas que para o cavaleiro era na verdade Dulcineia, moça de enorme formosura e virtude. 


“Eu sou eu Dom Quixote, senhor de La Mancha e o meu destino é lutar / Pois quem não se aventura com fé e ternura, não pode o mundo mudar.” 

Nessa peça Miguel Falabella, responsável pela adaptação do texto e das músicas, trabalha muito bem a loucura: já que Dom Quixote é um louco ele intercalou a loucura fantasiosa e ideológica de Dom Quixote com o tempo no hospício de Cervantes e criou o questionamento sobre a verdade da loucura, pois tanto Dom Quixote e Cervantes foram acusados por seguir seus ideais e seus sonhos, o que também me fez pensar sobre o quanto somos um pouco loucos. 

A montagem ficou muito bem feita, o cenário é fixo com alguns poucos movimentos, porém isso favorece o clima do hospício, o figurino é simples mas cria momentos mágicos no palco como os loucos e os funcionários sendo caracterizados em cena. Os atores, como um todo, fazem um belíssimo show. Cleto Baccic e Sara Sarres brilham em seus papéis (Miguel de Cervantes / Dom Quixote e Aldonza / Dulcineia, respectivamente), mas na verdade todos tem um espaço para si, cada ator marca muito bem sua presença na peça. 

As músicas ficaram perfeitas, cada uma delas completa perfeitamente o musical, as harmonias e as letras encaixaram em seus momentos e transmitiram todas as emoções, é impossível não sair cantando do teatro. 

“Sonhar mais um sonho impossível / Vencer o inimigo cruel / Clamar com a voz da justiça / Manter da balança o fiel...”

Essa é a segunda montagem que assisto do Projeto Sesi em Teatro Musical (a primeira foi A Madrinha Embriagada) e posso dizer que cada vez mais a qualidade e a competência dessas peças me deixa totalmente encantada, louca para assistir às próximas. 




Informação: 
Duração: 110 minutos
Local: Avenida Paulista, 1313 - Bela Vista - São Paulo - SP - Tel.: (11) 3146 7406
Horário: Quarta a sexta, 21h; sábado, 17h e 21h; domingo, 19h.
Saiba mais aqui


1 comentários: