22 de fevereiro de 2015

[Maratona OSCAR 2015] O conto da princesa Kaguya


Sinopse: Esta animação é baseada no conto popular japonês “O corte do bambu”. Kaguya era um minúsculo bebê quando foi encontrada dentro de um tronco de bambu brilhante. Passado o tempo, ela se transforma em uma bela jovem que passa a ser cobiçada por 5 nobres e, até mesmo, pelo próprio Imperador. Mas nenhum deles é o que ela realmente quer. A moça envia seus pretendentes em tarefas aparentemente impossíveis para tentar evitar o casamento com um estranho que não ama. Mas Kaguya terá que enfrentar seu destino e punição por suas escolhas. (Fonte: Adoro Cinema)

Comentários:

Encerrando os trabalhos da Maratona Oscar 2015, já que a premiação é hoje, trago um post especial, a resenha dessa animação japonesa e diferente feita pela querida amiga Keiko Maxwell:

Antes mesmo de começar com os comentários, gostaria de deixar dois pontos bem claros:
1 – Eu sou fã do Estúdio Ghibli. Então, inevitavelmente, esta resenha acaba levando consigo um pouco dessa minha paixão nela.
2 – Mesmo este sendo um filme que teve seu lançamento em 2013 no Japão, nos Estados Unidos ele teve seu debut em 2014, por isso concorre ao prêmio apenas esse ano. Em tempo hábil, no Brasil ele será lançado apenas no dia 23 de abril deste ano (2015)!

Com esses pontos levantados, podemos, de fato, começar!




A história é baseada em uma lenda japonesa, o conto “O cortador de bambu”, e segue bem fiel a ela em toda a sua essência. 

Logo ao início somos apresentados ao humilde cortador de bambu que, um dia, ao voltar para casa, percebe no caminho um broto brilhante de bambu ao chão. Logo esse broto aflora e dentro dele há uma pequena menina, do tamanho de seu polegar, com as feições de uma verdadeira princesa. Julgando ter sido abençoado pelos deuses, o cortador de bambu a leva para sua casa, onde sua mulher a pega para cuidar. Neste ponto, a pequena “polegarzinha” se torna um bebê de tamanho normal e perde suas feições de princesa, ao qual a mulher informa ao marido que eram um vislumbre do futuro da menina. Assim, o casal passa a cuidar da criança como se fosse sua própria filha, chamando-a de Hime.


Próximo a casa do cortado de bambu, mora uma família de artesões de tigelas e seus filhos pequenos logo descobrem o bebê e começam a tirar sarro dele chamando-o de “takenoko”, em tradução direta e livre, “pequeno bambu”. Ao passar do tempo, a menina cresce e, em um dia, ao ir recolher brotos de bambus com o pai na floresta próximo a casa onde moram, acaba se encantando com alguns filhotes de porco selvagem, mas é salva por um rapaz que logo se descobre ser um dos filhos mais velhos da família de artesões, chamado Sutemaru, o “heroi” da história.


Com o passar do tempo, o cortador de bambus acaba descobrindo dentro de um dos troncos cortados uma generosa porção de ouro e começa a desconfiar que a vontade dos deuses seja a de dar o futuro destinado a sua filha. Assim, ele começa a frequentar a capital e a construir uma mansão lá. Ao mesmo tempo, Hime faz amizade com os meninos e começa a aprender com a natureza o que é a vida e o que é felicidade. Fato que é interrompido com a mudança de sua família para a capital, onde Hime passa a aprender os costumes e etiquetas necessários a uma dama para poder fazer parte da nobreza e começa a viver uma vida completamente diferente da que vivia até então, perdendo sua liberdade.


Apesar de ser baseado em um conto popular japonês, do século X, o filme acaba passando consigo muitos pontos de vista da sociedade da época e deixa claro, principalmente, o papel da mulher de ser aquela que cuida dos afazeres domésticos e precisa ter o conhecimento de cultura para agradar aos homens. Outro ponto levantado é a visão de que havia sobre as mulheres de serem apenas um “objeto de beleza” e de que “quanto mais bela, mais rápido é preciso casá-la”. Tal fato já faz com que se reflita um pouco, mesmo nos dias atuais, qual o papel da mulher na sociedade. A Kaguya hime, representada tanto no filme quanto no conto, passa a imagem de ser uma personagem forte, de poder tomar algumas decisões por si só, como é o fato dela recusar um pedido do próprio Imperador e saber qual é a consequência por seu ato e estar disposta a aceitá-la, mas sua beleza é tanto que acabamos vendo-a como algo frágil, delicado. Alias, beleza é o que não falta no filme.


Apesar de possuir um enredo denso, o filme tras em si cenas leves e até engraçadas, com uma sutil comédia, e muitas que apenas podem ser definidas como fofas. A animação foge completamente do padrão empregado pelo estúdio até então e, diferentemente dos animes, seus traços são suaves, sem forte delimitação em seu acabamento, ou simplesmente inexistentes. As cores foram utilizadas como verdadeiras aquarelas, lembrando a técnica de caligrafia japonesa, o shodo, o que passa uma leveza sutil ao filme e o transforma em uma verdadeira obra de arte.


Ponto importante em todos os filmes do estúdio, a trilha sonora é belissima, toda orquestrada, com forte presença do piano e dos violinos, além de instrumentos habituais no Japão, como o koto, que possuí relevante participação. Também não poderia ser de menos. Já conceituado por elaborar a maioria das trilhas dos filmes do Ghibli, o responsável por ela é ninguém menos do que Joe Hisaishi.

Basicamente, unindo uma história que é, por si só, linda mais as qualidades de animação do Estúdio Ghibli eu não esperava nada menos do que uma obra de arte, que é o que senti que este filme é ao vê-lo. De longe, um dos meus favoritos entre os concorrentes.



Título original: Kaguya hime no monogatari
Duração: 137 min.
Direção: Isao Takahata
Roteiro: Isao Takahata | Riko Sakaguchi
Distribuidora: Califórnia Filmes
Ano: 2013
Avaliação: X/5... deixo isso por conta da dona do blog, mas como eu sou fã do estúdio, pra mim sempre será 5/5! (como a dona do blog não assistiu via confirmar a nota dada pela Keiko rs) 

Resenha de Keiko Maxwell

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