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14 de outubro de 2015

[Teatro] Chaplin – O musical


Como eu estava com saudade de assistir a um musical, e poder retomar esse hábito com Chaplin – O musical foi uma das melhores coisas que fiz. 

Neste musical é apresentado a obra desse grande artista, mas também quem era o homem por trás de Carlitos (seu personagem icônico). 

Logo no começo vemos a relação familiar que Chaplin teve, com um pai ausente e uma mãe que era artista de teatro e como o talento de Chaplin é percebido desde sua infância. Porém sua mãe sofre de demência muito nova levando ele e seu irmão Sidney a viverem um tempo em um orfanato e com uma infância pobre nas ruas de Londres até ser descoberto por um produtor de teatro que levou ambos aos palcos. Logo sua veia cômica é percebida levando Chaplin à América para começar a se tornar o grande ícone conhecido até os dias de hoje. 

Agora vou falar do musical e do encantamento que ele me proporcionou, primeiro vou deixar claro que não possuo um grande conhecimento da bibliografia de Chaplin então não vou me aprofundar nessa questão, quero comentar sobre o espetáculo em si. 


Interpretando o personagem principal temos Jarbas Homem de Mello, que simplesmente ficou muito bom no papel, ao ponto de conseguir reproduzir todos os trejeitos de Carlitos, sua maneira de andar, sua agilidade, o uso da bengala. Ele realmente entrou no papel e é possível ver neste ator a imagem deixada por Chaplin. Pesquisando para essa resenha descobri que Jarbas teve um trabalho de caracterização impressionante, pois considerando que Chaplin tinha diversas habilidades, tanto em cena (como dançarino, acrobata, músico, comediante e ator) quanto fora dela (como produtor, diretor, empresário, humanista e visionário) ele buscou conhecer o máximo desse personagem para poder interpretá-lo e é possível perceber isso  durante sua atuação. 

Outro grande personagem da peça é o irmão de Charles, Sidney, que foi uma grande presença na vida do artista, primeiro como proteção e companhia durante a juventude difícil e depois como seu agente e como aquele que permaneceu ao lado da mãe enquanto ela precisava. A relação dos dois é bem explorada e esse papel é interpretado por Marcelo Antony, que como ator me deixou bem satisfeita, mas na parte musical não senti um grande destaque, porém considerando que o irmão tem poucas músicas não é um ponto que chegue a incomodar. 

Agora a construção da peça em si é minimalista, mas grandiosa em seus detalhes, o palco não traz muitos elementos de cenário, porém isso acabou por dar destaque ao trabalho dos atores. Outro ponto forte é que vários elementos dos filmes de Chaplin são representados, ou em peças cenográficas ou durante coreografias ou falas. E o diferencial que deixa a peça com um toque especial são cenas dos próprios filmes de Charles que são rodados durante as cenas e tocam o coração de quem está assistindo. 


Durante o espetáculo acompanhamos tanto a vida profissional do ícone, com a criação do Carlitos, sua trajetória no cinema, a criação de cenas marcantes (como o discurso de O grande ditador) e toda a parte de seu trabalho como produtor e diretor. Mas também vemos sua vida pessoal (a infância, a relação com o irmão e a mãe, seu “pequeno” problema com mulheres – o excesso delas – seu envolvimento com discursos humanistas, que foi mal interpretado o levando a ser considerado comunista, até o seu banimento dos EUA). 

Esse musical me marcou muito, não pelas músicas em si, mas por todo o trabalho de composição para mostrar aos espectadores quem foi realmente Charles Chaplin, inesquecível. 

O musical está em cartaz no Teatro Procópio Ferreira, mais informações aqui. 




24 de março de 2014

[Teatro] Crazy For You – Musical


Depois de ver o trabalho de Cláudia Raia e Jarbas Homem de Mello em Cabaret não poderia deixar de ver os dois em seu último musical, Crazy for You.
Com uma história leve e muitas cenas de dança Crazy for You é uma daquelas obras para adoçar a alma.
A história é baseada no livro de Ken Ludwig e conta a vida de Bobby Child, um playboy de Nova York que é filho de uma bancária e noivo de uma mulher rica, porém seu sonho não é cuidar do banco mas sim cantar e dançar nos palcos. Com sua mãe e sua noiva brigando para controlar sua vida Bobby vai para uma cidadesinha do interior chamada Pedra Morta com a finalidade de executar uma hipoteca de um teatro. Lá ele conhece Polly, a única mulher da cidade, bem masculinizada e interiorana, e se apaixona por ela. Porém ela é filha do dono do teatro que ele busca executar e com isso toda a história se desenrola. 

O forte desse espetáculo não é um texto elaborado, mas sim as músicas e, principalmente, as danças. No estilo dos musicais antigos as coreografias são baseadas no sapateado, o que me encantou ainda mais, bem coreografadas as cenas são lindas e dizem tudo o que um bom texto diria. Com um cenário e figurino competentes, o musical está maravilhoso do começo ao fim.

Mais uma adaptação do Miguel Falabella que entrou pra minha lista de favoritas (na verdade todas as que vi dele estão na lista)
Para aqueles que estão interessados a temporada já está no fim tendo apenas mais esse fim de semana de espetáculo. 

No Teatro Bradesco, Shopping Bourbon São Paulo (Rua Turiassu, Piso Perdizes, 2.100 - Perdizes).


22 de fevereiro de 2014

[Teatro] Musical – A Madrinha Embriagada


Só as forças universais sabem o quanto penei para conseguir assistir essa peça, por ser um projeto cultural de exibição gratuita conseguir um lugar é uma luta, mas tenho que dizer que valeu cada mês de espera, A Madrinha Embriagada me surpreendeu e me encantou. 
Um Projeto do Sesi com Atelier de Cultura, é exibido quase todos os dias da semana e traz a adaptação e direção de Miguel Falabella (já estou começando a virar fã dos trabalhos do Falabella no teatro, é a segunda versão feita por ele que assisto, a primeira foi Cabaré, e as duas são sensacionais). 

A história é dividida em dois pontos de vista, um deles é o do Homem da Poltrona, um personagem sem nome que irá apresentar em seu apartamento o glamour e pompa dos musicais e teatro dos anos 20 em São Paulo, ele usa do artifício do vinil de uma peça para poder reviver aquele período, o outro ponto de vista é a própria peça que ele ouve. A Madrinha Embriagada, comédia musical que vai se desenvolvendo conforme o espetáculo continua. Os pontos de vista interagem e se unem, o apartamento do Homem da Poltrona é o fundo fixo enquanto os cenários do musical vão surgindo e interagindo com ele. O próprio personagem interage com o público e interfere na narrativa da peça, nos mostrando e explicando como era a versão feita nos anos 20, quem eram os autores da peça e seu desenvolvimento. 

Esse artifício usado por Falabella foi o que mais me encantou, a parte da Madrinha possui um desenvolvimento próprio, é a história de uma grande artista que irá se casar e largar sua carreira e a interação de todos ao seu redor, o produtor que não quer que seu casamento ocorra, a vedete Eva, o noivo e todos os outros que estão na mansão para o casamento, e o elemento principal, a madrinha da noiva, que está o tempo todo bêbada, mas tem grandes cenas.

A peça possui muitas músicas boas, cenas de dança e sapateado, porém o que me ganhou mesmo foi a interação entre os dois elementos da atuação. Assumo que senti uma identificação com o Homem da Poltrona, seu amor pelo musical, sua dedicação e suas reações interagindo com cenas coreografadas. A interação ainda maior, da vida cinza, parada e solitária do Homem com toda a alegria, movimento e agitação do musical é perfeita e está lindamente descrita em uma frase do Homem e que também está no panfleto da peça. 

“...ainda que o libretto seja previsível e estapafúrdio, as canções são lindas e A Madrinha Embriagada, ao meu ver, cumpre aquilo que se espera de uma comédia musical. Faz com que você esqueça pro algum tempo da dura realidade que nos espera lá fora.” 



17 de julho de 2013

[Teatro] A Princesinha


Como primeiro musical do ano fui assistir ao A Princesinha. 
Espetáculo apresentado pela Fundação Lia Maria Aguiar que  traz uma adaptação da obra de Frances Hodgson Burnett. 
A peça conta a história de Sara Crewe, uma menina meiga, cheia de imaginação e histórias, que mora na Índia e conta com Maya para ajudá-la enquanto espera seu pai voltar da guerra, e quando isso finalmente acontece Sara descobre que seu pai irá explorar minas de diamante e por isso acaba levando a garota para um colégio interno em Londres, onde a vida de Sara irá mudar e ela terá que continuar acreditando em todas as histórias que ouviu quando criança, que ela, como todas as mulheres, é uma princesa e principalmente que tudo pode melhorar. 

O espetáculo possui um estilo narrativo diferente, além das situações da vida de Sara a peça conta com um “narrador”, Ram Dass que possui uma autonomia em toda a peça, além de poder interferir nas cenas atuais ele também participa das histórias contadas por Sara e interage com a plateia. 

Por ser um espetáculo infantil a linha da história, os diálogos e as músicas são mais simples, com várias pitadas de humor e uma moral a ser assimilada no fim.  
Apesar de apenas uma pequena parte do primeiro ato se passar na Índia a influência dessa cultura tão exótica se dá por toda a peça e é seu grande diferencial, as cores vivas, as músicas alegres, as lendas, enfim, várias características podem ser percebidas e encanta o espectador. 
O trabalho dos atores está muito bom, grande parte dos personagens é interpretada por crianças que se mostraram muito bem preparadas e talentosas, além dos demais autores já conhecidos e que interpretaram os papéis dos personagens adultos da história. 
Recomendo esse musical para aqueles que buscam leveza, cores e diversão, um musical infantil para todos. 
O espetáculo está em cartaz no Teatro Anhembi Morumbi (R. Dr. Almeida Lima, 1.176 - Brás, São Paulo, 03164-000) aos sábados e domingos, às 16 horas até o dia 28 de julho. Para mais informações veja aqui