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26 de janeiro de 2016

[Livro] As espiãs do Dia D – Ken Follett


Sinopse:
Segunda Guerra Mundial. Na fúria expansionista do Terceiro Reich, a França é tomada pelas tropas de Hitler. Os alemães ignoram quando e onde, mas estão cientes de que as forças aliadas planejam libertar a Europa. Para a oficial inglesa Felicity Clairet, nunca houve tanto em jogo. Ela sabe que a capacidade de Hitler repelir um ataque depende de suas linhas de comunicação. Assim, a dias da invasão pelos Aliados, não há meta mais importante que inutilizar a maior central telefônica da Europa, alojada num palácio na cidade de Sainte-Cécile. Porém, além de altamente vigiado, esse ponto estratégico é à prova de bombardeios. Quando Felicity e o marido, um dos líderes da Resistência francesa, tentam um ataque direto, Michel é baleado e seu grupo, dizimado.
Abalada pelas baixas sofridas e com sua credibilidade posta em questão por seus superiores, a oficial recebe uma última chance. Ela tem nove dias para formar uma equipe de mulheres e entrar no palácio sob o disfarce de faxineiras. Arriscando a vida para salvar milhões de pessoas, a equipe Jackdaws tentará explodir a fortaleza e aniquilar qualquer chance de comunicação alemã – mesmo sabendo que o inimigo pode estar à sua espera. As espiãs do Dia D é um thriller de ritmo cinematográfico inspirado na vida real. Lançado originalmente como Jackdaws, traz os personagens marcantes e a narrativa detalhada de Ken Follett.  (Fonte: Skoob) 

Comentários:
Estava com saudade de ler uma história de Follett, e ler As espiãs do dia D matou essa vontade e ainda aumentou a admiração que tenho por esse autor. 

Apesar de ter comentado que estava com saudade da escrita de Follett, assumo que economizei esse livro para poder aproveitá-lo com calma, pois ele trata de dois temas que gosto muito: histórias de guerra e mulheres fortes. 

Em As espiãs do dia D iremos conhecer a história da participação de Felicity Clairet, uma oficial da Executiva de Operações Especiais britânica que trabalhava junto com a Resistência Francesa para sabotar os alemães que invadiram a França e ajudar os Aliados na invasão. 

Por outro ponto de vista também conheceremos a história de Dieter Franck, um major que trabalhava para Alemanha como especialista em interrogatórios e como ele se posiciona e age nesse lado da guerra. 

Temos nesse livro a típica narrativa de Follett que irá intercalar os pontos de vista entre Felicity e Dieter e nesse caso deu um toque todo diferente ao livro, pois temos a ideia fixa de que os alemães são os únicos errados e maus de todos os acontecimentos, mas com esse estilo de narrativa Follett vai colocar a história em perspectiva e fazer o leitor pensar, pois na verdade ambos os personagens estão em uma guerra fazendo algo que não concordam mas que são obrigados a fazer por sobrevivência, na verdade o que quero dizer é, sim a Alemanha estava errada, mas quantas perdas são necessárias para que o outro lado ainda seja considerado certo? 

A história da narrativa terá uma sequência temporal curta, menos de um mês no decorrer dos fatos, mas isso não prejudica em nada o livro, pois foram os instantes finais antes do Dia D e muita coisa acontecia em um ritmo frenético e quanto mais perto da data tão conhecida, mas a narrativa fica tensa e rápida, e isso trabalha muito bem com a história. 

Como forma de conseguir sabotar uma central telefônica Felicity monta uma equipe de mulheres para tentar realizar a missão e esse é outro diferencial do livro, pois nas guerras geralmente o trabalho das mulheres é desmerecido ou esquecido e aqui ele vai mostrar o como elas foram importantes e fortes. 

O único ponto que tenho como ressalva é que acho que deveria “ter mais livro”, calma que eu explico: Já li alguns livros do Follett e percebi que as narrativas longas dele são as melhor trabalhadas. As espiãs do Dia D não é um livro ruim ou incompleto em momento nenhum, como disse antes o tempo da narrativa apesar de curto cabe bem a obra, mas sinto que se ele tivesse escrito um pouco mais poderia ter desenvolvido melhor os personagens apresentados, trabalhando outras minúcias ou trazendo mais a frente da lente algum personagem secundário interessante, mas como disse antes isso não prejudica a obra. 

Adorei o livro, ele me prendeu e me apresentou uma das personagens que mais gostei, além de ser um bom livro para conhecer o Follett se não quiser se aventurar de início pelos calhamaços.




Título Original: Jackdaws
Autor: Ken Follett
Editora: Arqueiro
Ano: 2015
Número de páginas: 448
Avaliação: 4/5 

16 de setembro de 2015

[Livro] República de Ladrões – Scott Lynch


Sinopse:
Envenenado e à beira da morte, Locke Lamora segue para o norte com seu parceiro, Jean Tannen, em busca de refúgio e de um alquimista para curá-lo. Porém, a verdade é que ninguém pode salvá-lo. Com a sorte, o dinheiro e a esperança esgotados, os Nobres Vigaristas recebem uma oferta de seus arquirrivais, os Magos-Servidores.
As eleições do conselho dos magos se aproximam e as facções precisam de alguém para fazer o trabalho sujo, manipulando votos. Se Locke aceitar, o veneno será purgado de seu corpo com o uso de magia – mas o processo será tão excruciante que ele vai desejar morrer.
Locke acaba cedendo ao saber que o partido da oposição contará com uma mulher do seu passado: Sabeta Belacoros, a única pessoa capaz de se igualar a ele nas habilidades criminosas e mandar em seu coração. Novamente em uma disputa para ver quem é o mais inteligente, Locke precisa se decidir entre enfrentar Sabeta ou cortejá-la, e a vida dos dois pode depender dessa decisão.
República de ladrões leva o leitor ao início da vida de Locke enquanto flerta com o seu fim, revelando todos os matizes de Sabeta e de seu relacionamento com o líder dos Nobres Vigaristas. Misturando momentos tensos e cômicos do passado e do presente, esta obra é, até agora, a melhor de Scott Lynch. (Fonte: Skoob) 

Comentários:
Continuando com as aventuras de nosso vigarista, Locke Lamora, agora em República de Ladrões, iremos acompanhar ele e Jean em uma nova e totalmente inesperada aventura, mas o mais importante desse livro é o foco em uma personagem que até então era uma sombra na vida do protagonista, finalmente o leitor será apresentado a Sabeta. 

16 de junho de 2015

[Livro] Mar da tranquilidade – Katja Millay


Sinopse:Nastya Kashnikov foi privada daquilo que mais amava e perdeu sua voz e a própria identidade. Agora, dois anos e meio depois, ela se muda para outra cidade, determinada a manter seu passado em segredo e a não deixar ninguém se aproximar. Mas seus planos vão por água abaixo quando encontra um garoto que parece tão antissocial quanto ela. É como se Josh Bennett tivesse um campo de força ao seu redor. Ninguém se aproxima dele, e isso faz com que Nastya fique intrigada, inexplicavelmente atraída por ele.A história de Josh não é segredo para ninguém. Todas as pessoas que ele amou foram arrancadas prematuramente de sua vida. Agora, aos 17 anos, não restou ninguém. Quando o seu nome é sinônimo de morte, é natural que todos o deixem em paz. Todos menos seu melhor amigo e Nastya, que aos poucos vai se introduzindo em todos os aspectos de sua vida.À medida que a inegável atração entre os dois fica mais forte, Josh começa a questionar se algum dia descobrirá os segredos que Nastya esconde – ou se é isso mesmo que ele quer.Eleito um dos melhores livros de 2013 pelo School Library Journal, Mar da Tranquilidade é uma história rica e intensa, construída de forma magistral. Seus personagens parecem saltar do papel e, assim como na vida, ninguém é o que aparenta à primeira vista. Um livro bonito e poético sobre companheirismo, amizade e o milagre das segundas chances. (Fonte: Skoob) 

Comentários:
Cheguei a esse livro através de uma indicação, uma amiga tinha comentado que foi um dos melhores romances que leu e, contrariando tudo o que costumo fazer, com quase nenhuma informação além dessa, pedi esse livro de parceria da Editora Arqueiro e não me arrependi, não foi o melhor romance da minha vida, mas com certeza foi uma leitura prazerosa e uma história que vale a pena ser conhecida.

17 de maio de 2015

[Livro] O Duelo dos Reis – Joe Abercrombie


Sinopse:A União está em guerra. Ao norte, o coronel West e suas tropas recuperaram a fortaleza de Dunbrec, mas a batalha pode se arrastar por anos, porque o rei dos nórdicos não irá se render. É hora de Nove Dedos voltar e enfrentar seu pior inimigo. O problema é que, no calor da batalha, nunca se sabe quando o Nove Sangrento surgirá de dentro dele – e o Nove Sangrento não escolhe lado, só quer matar. Na Terra do Meio, uma revolução camponesa por direitos igualitários e participação política desestabiliza os governos locais. Caberá a Jezal dan Luthar negociar a paz e, se preciso, combater o próprio povo.Na capital, com o rei doente e sem herdeiros, os membros do Conselho Fechado começam a comprar apoio dos nobres, numa corrida oculta ao trono. Depois de ter escapado por pouco de Dagoska, Sand dan Glokta precisa sobreviver ao jogo político. Para isso, vai usar os recursos em que é mestre: chantagem, ameaça e tortura. Além disso, tropas gurkenses se movem no sul em direção a Adua, dispostas a travar uma guerra santa e levar Bayaz a julgamento. Para salvar o mundo, o Primeiro dos Magos precisa salvar a si mesmo, porém há riscos enormes quando se mexe com magia. E nada pode ser mais arriscado do que quebrar a Primeira Lei. O duelo dos reis é um épico sombrio e brilhante, um final de tirar o fôlego para a trilogia que redefiniu a literatura fantástica. (Fonte: Skoob) 

Comentários:
Sabe quando você acompanha algum jogo de estratégia (xadres, dama...) e está nos instantes finais, e você acha que já está tudo praticamente acabado já dando para perceber quem será o ganhador até que de repente tudo muda, o jogo se complica e no final tudo faz sentido mesmo sendo inesperado? Essa foi minha reação ao ler O Duelo dos Reis – último livro da trilogia A Primeira Lei, de Joe Abercrombie. 

7 de abril de 2015

[Livro] Um lugar chamado liberdade – Ken Follett


Sinopse:
Escócia, 1766. Condenado à miséria e à escravidão nas brutais minas de carvão, Mack McAsh inveja os homens livres, mas nunca teve esperança de ser como eles. Até que um dia ele recebe a carta de um advogado londrino que lhe revela a ilegalidade da escravidão dos mineiros e um novo horizonte se abre aos seus olhos. Porém, para realizar seu sonho, Mack precisará enfrentar todo tipo de opressão das autoridades que não estão acostumadas a serem questionadas.
Já na idealizada Londres, ele reencontra uma amiga de infância, Lizzie Hallim, agora casada com Jay Jamisson, membro da família que tanto o atormentara na Escócia. Lizzie não se conforma em viver submetida aos caprichos dos homens e constantemente escandaliza a sociedade com seu comportamento e suas ideias não convencionais. Quando Mack é acusado injustamente de um crime, ela quebra protocolos e sai em sua defesa, mas o amigo é deportado para a América.
Mack logo descobre que se trata de uma mera mudança de continente, não de ares sociais, pois a colônia também vive momentos de tensão: se na Inglaterra os trabalhadores não desejam mais ser explorados pela elite, ali os colonos preparam o caminho que os levará à independência do jugo inglês.
Nesta saga repleta de suspense e paixão, Ken Follett delineia uma época de revoltas contra a injustiça com uma escrita enérgica e sedutora. (Fonte: Skoob) 

Comentários:

Conheci Ken Follet com a trilogia O Século, e nesse ponto ele se tornou um dos meus autores preferidos, sua narrativa e sua capacidade de mesclar fatos históricos com um romance muito bem estruturado me prendeu durante a leitora, e com toda essa expectativa fui ler Um Lugar Chamado Liberdade, outro lançamento do autor com a editora Arqueiro, e talvez esse tenha sido o problema, toda a expectativa. 

5 de fevereiro de 2015

[Livro] Mares de Sangue – Scott Lynch



Sinopse:
Após uma batalha brutal no submundo do crime, o golpista Locke Lamora e seu fiel companheiro, Jean Tannen, fogem de sua cidade natal e desembarcam na exótica Tal Verrar para se recuperar das perdas e feridas. Porém, mesmo no extremo ocidental da civilização, não conseguem descansar por muito tempo e logo estão de volta ao que fazem de melhor: roubar dos ricos e embolsar o dinheiro. (Fonte: Skoob)

Comentários:  
Em Mares de Sangue continuamos acompanhando Locke e Jean em suas aventuras como nobres vigaristas, eu estava bem curiosa para descobrir os rumos que eles tomariam e a história apresentada me prendeu, mas esperava mais em alguns aspectos dos livro.
Nesta nova parte da vida dos dois nobres vigaristas eles continuam com seus planos e armações, mas a narrativa não começa com eles tão ativos assim, e sim logo depois dos acontecimentos em Camorr, com Locke bem ferido e os dois tentando fugir e se safar de todos os seus perseguidores. Não vou contar mais o que aconteceu entre o tempo da fuga de Camorr até eles voltarem a ativa, mas eles conseguem se recuperar e armar um novo plano.
Em outra cidade com um novo alvo os dois programam um enorme golpe mas no meio disso são interrompidos por alguém que tem um plano diferente para eles e com isso acabam no meio do mar, lutando e se aventurando por lugares não passados antes.
A narrativa continua seguindo o estilo do primeiro livro, não linear dando o efeito para os golpes de Locke, primeiro acontece uma situação depois um flashback para fornecer explicação ao leitor, e isso prende a leitura e mantém um bom ritmo, não vou negar que há alguns momentos “mornos”, mas logo algo acontece e o ritmo acelera mais uma vez.
Gostei de ambas as situações mostradas neste livro, como uma pessoa que ama filmes de grandes golpes ou roubos, o fato de o plano inicial deles ser um roubo a um cassino me deixou especialmente interessada, considerando um cenário medieval regado a artefatos e alquimias fiquei curiosa em como eles realizaram o roubo. E segundo cenário é a viagem ao mar, no começo fiquei um pouco incomodada com os termos técnicos, mas Scott Lynch usa de um bom artifício para explicar tanto para os personagens como para o leitor alguns termos e o restante acontece naturalmente.
Jean e Locke agora estão mais unidos mas também com alguns conflitos entre eles, o que é normal considerando tudo o que passaram no livro anterior. Além deles novos personagens são apresentados e gostei muito de alguns, na verdade, algumas; personagens femininas entraram nessa história e foi um toque especial, pois elas são fortes e bem marcantes na história.  E aqui faço uma resalva que é para reclamar um pouquinho que eles continuam falando de Sabeta, mas não aprofundam nem explicam nada, espero que o mistério sobre ela se resolva nos próximos livros.
Porém mesmo ficando envolvida com a leitura alguns pontos não me agradaram e o principal foi a estrutura dos casos, pois foi uma repetição do primeiro, os pontos, as reviravoltas, a forma como as coisas aconteceram é bem parecida com a do livro anterior, por mais que o final tenha surpreendido mesmo nele há certa semelhança. Isso não prejudicou tanto a leitura, mas alguns acontecimentos perderam o fator surpresa pra mim.
Scott Lynch fechou esse livro de um modo que fiquei bem ansiosa para descobrir os rumos dessa história e continuar acompanhando os golpes dos Nobres Vigaristas.

Série Nobres Vigaristas:

  1. As Mentiras de Locke Lamora
  2. Mares de Sangue
  3. The Republic of Thieves
  4. The Thorn of Emberlain


Título Original: Red seas under red skies
Autor: Scott Lynch
Editora: Arqueiro
Ano: 2014
Número de páginas: 511
Avaliação: 4/5 

29 de novembro de 2014

[Livro] Eternidade por um fio – Ken Follett



Livro: Eternidade por um fio (terceiro livro da trilogia O Século)
Titulo Original: Edge of Eternity
Autor: Ken Follett
Editora: Arqueiro
Ano: 2014
Avaliação: 5/5
Sinopse:Durante toda a trilogia O Século, Ken Follett narrou a saga de cinco famílias americana, alemã, russa, inglesa e galesa. Agora seus personagens vivem uma das épocas mais tumultuadas da história, a enorme turbulência social, política e econômica entre as décadas de 1960 e 1980, com a luta pelos direitos civis, assassinatos, movimentos políticos de massa, a guerra do Vietnã, o Muro de Berlim, a Crise dos Mísseis de Cuba, impeachment presidencial, revolução... e rock and roll! Na Alemanha Oriental, a professora Rebecca Hoffman descobre que durante anos foi espionada pela polícia secreta e comete um ato impulsivo que afetará sua família para o resto de suas vidas. George Jakes, filho de um casal mestiço, abre de mão de uma brilhante carreira de advogado para trabalhar no Departamento de Justiça de Robert F. Kennedy e acaba se vendo não só no meio do turbilhão da luta pelos direitos civis, como também numa batalha pessoal. Cameron Dewar, neto de um senador, aproveita a chance de fazer espionagem oficial e extraoficial para uma causa em que acredita, mas logo descobre que o mundo é um lugar muito mais perigoso do que havia imaginado. Dimka Dvorkin, jovem assessor de Nikita Khruschev, torna-se um agente primordial no Kremlim, tanto para o bem quanto para o mal, à medida que os Estados Unidos e a União Soviética fazem sua corrida armamentista que deixará o mundo à beira de uma guerra nuclear. Enquanto isso, as ações de sua irmã gêmea, Tanya, a farão partir de Moscou para Cuba, Praga Varsóvia e para a história. Como sempre acontece nos livros de Ken Follett, o contexto histórico é brilhantemente pesquisado, a ação é rápida, os personagens são ricos em nuances e emoção. Com a mão de um mestre, ele nos leva a um mundo que pensávamos conhecer, mas que nunca mais vai nos parecer o mesmo. (Fonte: Skoob)

Comentários: 
Em Eternidade por um fio, Ken Follett encerra magistralmente a trilogia O Século e devo confessar que após acompanhar seus personagens por tantas páginas, muitos anos e diversas gerações foi quase doloroso fechar o último livro. 
O livro se passa alguns anos depois de o final de O Inverno do Mundo e com o foco em outros personagens na nova geração que está crescendo em um mundo repartido por preconceitos e por política, entre a tensão da disputa entre o capitalismo e o comunismo. 
Os núcleos basicamente são os mesmos, Follett trará personagens americanos, alemães, ingleses e russos, conseguindo abordar com isso o amplo panorama que se mantém entre os anos de 1961 a 2008. 
Nas obras anteriores eu já tinha me apaixonado pelo estilo narrativo do autor, o como ele consegue humanizar situações que até então eram apenas parte de uma aula de história e nesse livro ele se superou nesse intento, pois é a primeira vez em que efetivamente não há uma guerra de confronto físico (que geralmente aumenta o grau de empatia do leitor com o personagem já que seus sofrimentos e dilemas são mais palatáveis), mas a maioria das disputas são jogadas políticas, na verdade esse é o grande enfoque do livro e chega a ser repetido por vários personagens: as pessoas podem lutar por seus ideais e sonhos mas o que realmente muda o mundo são os governos. 
Logo no início um dos focos está no personagem George, um negro que acabou de se formar e tenta construir sua carreira e acima disso, luta pelos direitos civis, e com ele e os personagens que o rodeiam conhecemos e imergimos em um aspecto marcante da história dos Estados Unidos a discriminação com os negros, e magistralmente Follett coloca personagens fictícios participando de situações reais de preconceito e segregação fazendo o leitor mergulhar na dor e na descriminação que cada um deles sofreu, permitindo entender como e porque tudo demorou tanto para mudar. 
Saindo desse ponto temos o conflito principal de Eternidade por um fio, a “guerra” entre o capitalismo e o comunismo, na verdade a disputa entre os EUA e a URSS para tentar provar qual dos seus regimes era o melhor para o futuro e como, na verdade, as pessoas sobre essas políticas acabaram sendo prejudicadas enquanto seus governantes brigavam para mostrar quem era o melhor. Vários conflitos sobre essas diferenças são tratados no livro, como Cuba, Vietnã, Praga, entre outros, mas a lente do autor se foca principalmente no país que virou símbolo dessas diferenças: a Alemanha, a nação dividida entre o capitalismo e o comunismo. 
Um dos mecanismos narrativos de Follett para dar veracidade à suas histórias é usar personagens não ficcionais interagindo com personagens criados pelo autor e nessa obra ele se aprofundou mais ainda nessa técnica, pois grande parte dos personagens está inserido ou evolvido nos contextos políticos e a interação necessária é maior, além de trazer muitos nomes conhecidos como: Martin Luther King, John e Bobby Kennedy, George Bush, Gorbachev, entre outros. 
Confirmei o quanto o livro e a escrita eram muito bons no momento em que me vi torcendo por rumos de ações que eu já sabia o resultado por se pautarem em fatos históricos, como, por exemplo, ficar apreensiva se os EUA ia ou não bombardear Cuba, mesmo sabendo que historicamente isso não aconteceu. Essa apreensão aconteceu em vários momentos durante a narrativa, e o autor conseguiu manter um clima de tensão e até de surpresa com fatos históricos popularmente conhecidos. 
Tenho apenas uma pequena resalva sobre esse livro, por ser o de passagem de tempo mais longa até agora, Follett acaba passando desenvolvendo muito os seus personagens e o leitor acompanha seus envelhecimentos, alguns conhecemos adolescentes e terminam o livro com quase 50 anos. Com isso, no fim, alguns personagens não tiveram seus desfechos definidos, não que haja pontas soltas, por que não há, mas para mim faltou uma pequena conclusão mais definitiva para eles. 
Como sempre disse desde a primeira resenha da Trilogia O Século, e que neste último livro se confirmou, essa não é uma leitura sobre fatos históricos, mas sim uma leitura sobre a natureza humana e suas falhas e grandezas e como essas sim moldaram a história. 


9 de setembro de 2014

[Livro] Antes da Forca – Joe Abercrombie



Livro: Antes da Forca
Titulo Original: Before they are hanged
Autor: Joe Abercrombie
Editora: Arqueiro
Ano: 2014
Avaliação: 3,5/5
Sinopse:Nesta ardilosa sequência de O poder da espada, o futuro da União está em três frentes de batalha – e nenhuma delas parece nem perto da vitória.
Sand dan Glokta se tornou o todo-poderoso de Dagoska e tem de impedir que ela seja tomada pelos inimigos – tarefa difícil em uma cidade com muralhas decadentes e escassez de soldados. Além disso, o ex-torturador também precisa desvendar uma conspiração no conselho governante e salvar a própria pele.
Enquanto isso, nas terras congeladas de Angland, o coronel West tem pela frente uma complicada missão: proteger o príncipe herdeiro no campo de batalha e evitar que a inexperiência e a arrogância dele levem todos para a morte.
Ao mesmo tempo, Bayaz, o Primeiro dos Magos, lidera uma expedição que cruzará o continente até a borda do Mundo. Passando por terras amaldiçoadas e esquecidas no passado, ele precisa encontrar a Semente – uma relíquia do Tempo Antigo que poderia pôr um fim à guerra, ao exército de comedores que se multiplica no Sul e aos bandos de shankas que atacam no Norte.
Nesta trama inteligente e de personagens complexos, antigos segredos são revelados, batalhas sangrentas são travadas, inimigos mortais são perdoados – mas não antes de estarem na forca.

Comentários: 
Quando li O Poder da Espada fiquei encantada com os personagens e a trama apresentada, todas as alianças e reviravoltas me deixaram mais que ansiosa para a continuação e talvez isso não tenha sido tão bom.
Ok, não posso culpar apenas minha ansiedade, esse livro passou por vários contratempos comigo, logo no início da leitura tive uma rotina de trabalho intensa, o que atrasou muito a leitura, depois começou a bienal, momento em que também não li muito, então ele me deixou com a sensação de ser um livro mais lento do que realmente é, mas não o redime de passar um pouco pela síndrome do segundo livro, sendo claramente uma preparação e uma ambientação para o que está por vir.
Sabe aquele momento em um jogo quando as peças se armam para só então realizarem as jogadas e os ataques, foi essa a impressão que Antes da Forca causou, no primeiro livro foram apresentados os personagens, as situações e o enredo em que tudo se desenvolveria, agora neste segundo podemos acompanhar o desenrolar da trama, o caminho que todos tomam e a tensão aumentando, porém por ser um livro intermediário seu ritmo é mais lento e não há grandes desfechos.

“ – A Grande Niveladora – sussurrou Cachorrão, já pensativo.
Era como os homens das montanhas a chamavam, a morte. Nivela todas as diferenças. Homens Nomeados e ninguéns, no sul ou no norte. No fim ela pega todo mundo e trata todos de modo igual.” p. 10

Como anteriormente o foco da narrativa muda entre os grupos de personagens dando uma perspectiva geral do que está acontecendo com cada um, vimos West no exército tentando se preparar para a guerra contra Bethod, os nórdicos estão em uma jornada para se aliarem a União também contra Bethod, Bayaz está com Jezal, Logan e Ferro em uma expedição em busca de algo que pode mudar o rumo de todas as guerras, e Glokta foi enviado para uma cidade visando investigar uma suspeita de traição e conter a guerra com os gurkenses. As situações vão se desenvolvendo, mas diferente do primeiro elas não se ligam tanto, são mais independentes umas das outras, porém é possível perceber que o autor está encaminhando todos para um grande acontecimento final, e com essa escolha de variar a narrativa a história paira sobre esses núcleos e ajuda o leitor pois evita que haja um desgaste do grupo tratado e proporciona uma visão melhor de todos os acontecimentos.  

“ – Qualquer um pode enfrentar a facilidade e o sucesso com confiança. É o modo como enfrentamos os problemas e os infortúnios que nos define. A autopiedade anda junto com o egoísmo, e não há nada mais deplorável num líder. O egoísmo pertence às crianças e aos idiotas.” p. 263

O ponto que mais me agradou neste segundo livro foi o tratamento despendido para os personagens, não apenas eles foram aprofundados ou evoluíram, mas sim passaram por mudanças que marcaram cada um deles, é possível ver a humanização começar a surgir naquele que não sentia mais nada, o esnobe aprender que a vida pode ser mais que as aparências, os supostos selvagens mostrarem mais civilidade que os homens dos reis e o que era então um exemplo de comportamento liberar traços obscuros de sua personalidade, máscaras começarão a cair e é possível ver a real natureza das pessoas e como o ambiente e os fatores da vida podem alterar alguém.
Sim, esse pode ter sido um livro mais lento, mas deu uma boa continuidade a história e enriqueceu os personagens por quem já tenho uma grande afeição. Resta-me esperar o desfecho dessa série que gosto tanto. 

Os livros da série A Primeira Lei: 


O terceiro livro da série, O duelo dos reis, ainda não tem capa definida. Veja a resenha do primeiro volume da trilogia, O poder da espada, aqui

26 de junho de 2014

[Livro] Os Três – Sarah Lotz



Livro: Os Três
Titulo Original: The Three
Autor: Sarah Lotz
Editora: Arqueiro
Ano: 2014
Avaliação: 4/5
Sinopse:Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo. Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação. A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular: Eles estão aqui. O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas... Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele... Essa mensagem irá mudar completamente o mundo. (Fonte: Skoob)

Comentários:
Meu interesse inicial em Os Três se deu pela sinopse, o plot me chamou a atenção, acidentes, teorias da conspiração, um mistério, algo que possa ter ligação com a mudança da história do mundo; tudo isso já me deixou bem curiosa. Outro ponto que fortaleceu minha vontade de conhecer mais esse livro foi a narrativa diferencial de Sarah Lotz, que eu poderia dizer que usou da metalinguagem para contar sua história. 
Logo no início o leitor é apresentado há um grande mistério envolvendo acidentes, quatro aviões caem em pontos diferentes do mundo no mesmo dia, tendo em três dessas quedas apenas um sobrevivente, uma criança de cada avião escapa sem grandes ferimentos, porém em um desses acidentes uma americana deixou uma mensagem antes de morrer para que as pessoas tomem cuidado com a criança e, a partir deste momento, os rumos das vidas desses sobreviventes poderão tomar proporções enormes. 
O enredo por si só já é intrigante, mas o maior atrativo e a melhor surpresa de Os Três é sua narrativa. Sarah Lotz irá guiar sua escrita criando um livro dentro do livro (calma eu explico) Os Três é uma narrativa sobre um livro jornalístico (ficcional, só para deixar claro) que irá narrar a história das três crianças, e todos que os rodeiam. Usando dessa artimanha não há um narrador próprio, mas sim uma repórter que irá unir as informações, Elspeth, e vários depoimentos, reunindo assim muitos pontos de vista diferentes. Outra grande vantagem dessa escolha narrativa é a suspensão do mistério, nenhuma informação é liberada por completo, o leitor vai se deparando com fragmentos de informações que formam um todo ao ler os depoimentos, e outro ponto de elogio é que mesmo tratando de muitos pontos de vista e situações diferentes a autora conseguiu amarrar todas as pontas. 
Agora um aspecto que pode ser passível de crítica foi um pequeno problema inicial na leitura, ao tratar de muitos personagens, com suas histórias se cruzando, e sendo que alguns são usados poucas vezes com um grande espaço entre seus depoimentos é fácil se perder em “quem está falando” mas conforme as páginas passam é possível se acostumar com o estilo e descobrir o personagem que está narrando. 
Outra questão é que não há um grande aprofundamento dos personagens, os conhecemos logo após o acidente e a história se dá a partir deste ponto, não há muita coisa de seus hábitos ou vidas antes da “Quinta-Feira Negra”, mas uma característica que amei é que como são eles que narram, ou em alguns momentos um falando sobre o outro (sem nenhuma interferência de um narrador esterno) é tudo muito subjetivo, dando espaço ao leitor de tirar suas próprias conclusões. 
O final não foi muito bem o que eu esperava, mas em momento nenhum ele é ruim, ele entra na proposta criada pela autora desde o início da história, se tornando coerente com todo o conjunto da obra, mas eu estava esperando outro rumo. 
Como um todo eu gostei muito do livro, principalmente por seu estilo inovador de narrativa. 


9 de maio de 2014

[Livro] As Mentiras de Locke Lamora – Scott Lynch


Livro: As Mentiras de Locke Lamora
Titulo Original: The Lies of Locke Lamora
Autor: Scott Lynch
Editora: Arqueiro
Ano: 2014
Avaliação: 4/5
Sinopse:O Espinho é uma figura lendária: um espadachim imbatível, um especialista em roubos vultosos, um fantasma que atravessa paredes. Metade da excêntrica cidade de Camorr acredita que ele seja um defensor dos pobres, enquanto o restante o considera apenas uma invencionice ridícula.
Franzino, azarado no amor e sem nenhuma habilidade com a espada, Locke Lamora é o homem por trás do fabuloso Espinho, cujas façanhas alcançaram uma fama indesejada. Ele de fato rouba dos ricos (de quem mais valeria a pena roubar?), mas os pobres não veem nem a cor do dinheiro conquistado com os golpes, que vai todo para os bolsos de Locke e de seus comparsas: os Nobres Vigaristas.
O único lar do astuto grupo é o submundo da antiquíssima Camorr, que começa a ser assolado por um misterioso assassino com poder de superar até mesmo o Espinho. Matando líderes de gangues, ele instaura uma guerra clandestina e ameaça mergulhar a cidade em um banho de sangue. Preso em uma armadilha sinistra, Locke e seus amigos terão sua lealdade e inteligência testadas ao máximo e precisarão lutar para sobreviver. (Fonte: Skoob) 

Comentários:
As Mentiras de Locke Lamora foi um livro que me lembrou muito aqueles filmes de armações e planos mirabolantes de ladrões para cometer um crime (que eu adoro).
Escolhi receber esse livro justamente por seu mote: ladrões, planos, golpes, uma entidade que aparenta ser mais esperta do que o ladrão, farsas sobre farsas (me entenderam??) uma rede de mentiras e planos sem fim e nisso Locke Lamora não me decepcionou. 
Tenho que confessar que o livro não deu muita sorte comigo, acabei iniciando a leitura em um momento não muito bom, estava lotada de trabalho e compromissos e os primeiros capítulos, que já são mais lentos, demoraram muito a engrenar, mas depois que isso aconteceu a história fluiu muito bem. 
A narrativa de Scott Lynch é bem diferente em alguns aspectos, primeiro ele criou um ambiente novo para ambientar a história, deuses e marcação de tempos próprios, religião, sistema de comércio e de hierarquias, resumindo ele baseou a trama em novos conceitos (até ai nada de inovador no gênero), mas o que muda é que o autor não se preocupa muito em explicar essas diferenças nem esse mundo, ele dá apenas uma pequena introdução de alguns aspectos como as divindades, as construções ou o comércio por eles interferirem de algum modo no decorrer das ações, mas nada além disso, o que tem um lado positivo e um negativo. O lado bom é que a história não se perde em enormes divagações e explicações sobre cada detalhe sendo que alguns deles não são importantes e a maioria pode ser entendida conforme os acontecimentos transcorrem. O lado negativo é que a imersão inicial do livro é mais complicada (outro motivo que fez com que o começo da leitura não fluísse muito para mim) até o leitor se ambientar ou se acostumar com todas as diferenças demora um pouco mais de tempo e a leitura nas primeiras páginas não é tão natural, mas sim com várias dúvidas. 
Outro diferencial da narrativa de Lynch é que ele não traz os fatos de forma linear, na verdade ele intercala eventos atuais de um Locke Lamora já crescido, famoso ladrão de Camor em meio a um grande golpe, com a história anterior a isso, a infância do personagem, a criação dos Nobres Vigaristas e seus treinamentos. Esse foi um estilo que me agradou bastante pois além de criar momentos de tensão e alívio durante a narrativa conhecemos pontos importantes do passado dos personagens e que tem relação direta com o que está acontecendo com eles. 
Os personagens são outro ponto de dualidade do livro, por um lado alguns são um pouco negligenciados e por outro são extensivamente elaborados, calma, eu explico: alguns personagens possuem sua construção rica e uma profundidade que dão todo o tom da narrativa, Locke Lamora, Capa Barsavi, Jean e mais alguns possuem sua personalidade bem traçada e trabalhada, alguns personagens que são muito interessantes não foram tão aprofundados como os irmãos Sanza, Pulga e o Aranha de Camor (e eu gostaria muito de saber mais sobre eles). E por fim, outros personagens são extensivamente citados mas nada além disso, como Sabeta (porém por ser uma série eu ainda espero saber mais sobre eles nos próximos livros). Outro ponto que me incomodou um pouco foi que o grande vilão da história demora muito a aparecer e com isso o trabalho voltado para ele foi um pouco corrido, em compensação as cenas de ação e o ritmo da leitura aumenta consideravelmente após sua revelação. Um aspecto muito forte é que o autor humaniza bem seus personagens, todos os atos possuem uma justificativa e um meio, ninguém é realmente perfeito, e isso é o que mais me encantou em Locke Lamora, ele é um grande farsante sim, mas ele também erra e é nesses momentos que mais prova sua genialidade (ou seus impulsos que levam ao desastre, depende da situação), mas que por mais esperto que seja ele não está livre de falhas e assim o quanto ele tem que improvisar e usar seu raciocínio para poder escapar dessas situações.
O autor soube muito bem formar a trama e quando menos se espera já se está tão envolvido no complexo sistema comercial de Camor, no mais complexo ainda sistema de gangues e roubos de Capa Barsavi, na parte hierárquica e principalmente nos elaborados e por muitas vezes inconsequentes planos de Locke Lamora. Fiquei surpresa com as reviravoltas e escolhas de diretrizes para a história, saliento que apesar de ser uma série a trama central tratada nesse livro começa e termina nesse único volume, deixando sim uma ponta solta, porém nada que gere raiva ou revolta mas apenas uma doce curiosidade do rumo que narrativa terá. 


3 de abril de 2013

[Livro] Inverno do mundo – Ken Follett



Livro: Inverno do mundo
Titulo Original: Winter of the World
Autor:  Ken Follett
Editora: Arqueiro
Ano: 2012
Avaliação: 5/5
Sinopse:
Inverno do mundo retoma a história do ponto exato em que termina o primeiro livro. As cinco famílias - americana, alemã, russa, inglesa e galesa - que tiveram seus destinos entrelaçados no alvorecer do século XX embarcam agora no turbilhão social, político e econômico que começa com a ascensão do Terceiro Reich. A nova geração terá de enfrentar o drama da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Guerra Mundial, culminando com a explosão das bombas atômicas. A vida de Carla von Ulrich, filha de pai alemão e mãe inglesa, sofre uma reviravolta com a subida dos nazistas ao poder, o que a leva a cometer um ato de extrema coragem. Woody e Chuck Dewar, dois irmãos americanos cada qual com seu segredo, seguem caminhos distintos que levam a eventos decisivos - um em Washington, o outro nas selvas sangrentas do Pacífico. Em meio ao horror da Guerra Civil Espanhola, o universitário inglês Lloyd Williams descobre que tanto o comunismo quanto o fascismo têm de ser combatidos com o mesmo fervor. A jovem e ambiciosa americana Daisy Peshkov só se preocupa com status e popularidade até a guerra transformar sua vida mais de uma vez. Enquanto isso, na URSS, seu primo Volodya consegue um cargo na inteligência do Exército Vermelho que irá afetar não apenas o conflito em curso, como também o que está por vir.


Comentários:
Aproveitando o tema deste mês do desafio literário, que em abril é uma ou mais das quatro estações no título, decide escolher um livro que estava morrendo de vontade de ler, Inverno do Mundo, segundo volume da trilogia O Século. 
Se em Queda de Gigantes Follett ganhou meu coração, em Inverno do Mundo ele o arrancou. Trocando a suavidade do primeiro livros por cenas duras e cruas Follett mostra que a guerra não poupa ninguém. 
Seguindo a linha temporal do primeiro livro, neste segundo o ambiente tratado é logo após a crise de 1929, com a ascensão do nazismo e do fascismo e a Europa tendo que lidar com esses regimes políticos, Follett ainda continua com o mesmo elenco de personagens usado anteriormente, porém o foco agora é a próxima geração, os filhos dos personagens das famílias anteriores. 
Tenho que dizer que me apaixonei pelo Queda e com isso estava morrendo de medo com a leitura de Inverno do Mundo, com medo de me decepcionar, de não conseguir me apegar aos personagens como me apeguei aos anteriores (Ethel \o/) mas além da felicidade de ainda poder ler sobre suas vidas tive uma feliz surpresa com os novos personagens que apareceram e que ganharam um espaço só seu em meu coração, pois além de criar novas histórias e personagens, eles não são uma repetição da geração anterior, mas sim únicos, com suas próprias personalidades e ocupando seus espaços na narrativa.  Outro aspecto que foi mantido é que os cinco núcleos ainda se encontram e as suas vidas ficam cada vez mais entrelaçadas. 
A narrativa desse livro merece uma observação especial, primeiro por ter me surpreendido, quando se pensa que um autor não pode mudar durante uma série vemos que Follet muda e que faz isso de forma magistral, e segundo que com essa mudança ele cria uma densidade em sua narrativa que é nova para o leitor da série, quase uma sombra de medo e tensão durante toda a leitura, Follett torna sua escrita mais dura, realista e crua, sim ainda há o romance, mas ele agora está regado de tragédias e dor e isso simplesmente enriquece muito mais a história. 
Tive a sensação que o autor quis mostrar o como a Segunda Guerra e o nazismo/fascismo foram muito mais duros que os problemas enfrentados na Primeira Guerra e isso foi passado em sua narrativa, como disse na resenha anterior, Follett humaniza fatos históricos tornando conhecimentos mais palpáveis e não apenas algo que aprendemos na aula de história, e essa humanização continua neste segundo volume, e é exatamente por isso que ele usa de recursos que quase não foram usados, como maior descrição de desastres e mortes. 
A linha histórica é muito boa, aborda todos os grandes eventos, a ascensão do nazismo, o fascismo na França e Espanha, a guerra na Espanha, culminando na Segunda Guerra Mundial e todos os aspectos que a envolveram se encerrando no início da Guerra Fria. Fiquei feliz por poder ver vários fatos que só tinha visto superficialmente na aula de história. Uma curiosidade que achei bem interessante é que diferente do primeiro livro em que todas as tramoias políticas foram exploradas com afinco, o foco neste segundo tomo é o serviço de espionagem, que foi longamente usado durante a guerra. 
Follet conseguiu me ganhar ainda mais, fazendo com que eu me encantasse por mais personagens e renovando sua linha narrativa com novas histórias e novas abordagens. Agora é esperar ansiosamente pelo terceiro livro. 

Veja a resenha de Queda de Gigantes aqui.