31 de maio de 2012

O menino do pijama listrado - John Boyne


Livro: O menino do pijama listrado
Autor: John Boyne
Editora: Cia. das Letras
Ano: 2007

Sinopse:
Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os Judeus. Também não faz ideia de que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos de que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e, para além dela, centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com um frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. "O Menino do Pijama Listrado" é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.


Comentários:
O menino do pijama listrado é um livro emocionante, lindo e com uma mensagem passada de forma tão sutil que o livro me ganhou.

Sei que é difícil ter tantos adjetivos positivos sobre um livro que trata de um período obscuro de nossa história, o holocausto, mas tenho que dizer que foi o segundo livro sobre esse tema que me encantou por sua singularidade.

O foco da história é Bruno, uma criança de nove anos que vive uma vida normal em Berlim, possui seus amigos, briga com sua irmã que é um “Caso Perdido”, até que um dia vê Maria, a empregada da família, arrumando as suas coisas e descobre que agora tudo vai mudar. Depois do jantar em que seu pai recebeu o “Fúria” nada na sua vida será como era antes e ele, na sua perspectiva de um garoto, tentará entender todas as mudanças que irão acontecer. Não conto mais da história, pois uma das melhores partes do livro é ir acompanhando os fatos da perspectiva de Bruno, aos poucos e no ritmo que o autor quis dar para o livro.

Tenho vários motivos para este livro estar agora nos meus preferidos: primeiro a história é narrada pelo próprio Bruno, que é na verdade o que torna a história tão única, pois traz a perspectiva de um evento tão complexo e tão pesado com a simplicidade e a inocência de uma criança, pois Bruno não sabe ao certo o que está acontecendo a sua volta. Mesmo a narrativa sendo de uma perspectiva infantil e sem falas ou descrições profundas é possível perceber a complexidade dos personagens que envolvem a história pelo que o menino fala ou pelo o que ele acaba por não entender; e a história é muito bem construída pelo autor apesar de ser uma leitura rápida. O livro é simples, sincero e emocionante e está na lista dos que recomendo - e agora estou em busca de outros títulos deste autor.  

27 de maio de 2012

[Filme] Os Vingadores


Título original: The Avengers
Duração: 142 min.
Direção: Joss Whedon
Roteiro: Zak Penn e Joss Whedon
Distribuidora: Paramount Pictures
Ano: 2012


Comentários:

Os Vingadores foi um dos melhores filmes que vi este ano.

Essa pequena frase diz quase tudo sobre o filme que começa com Loki (Tom Hiddleston) voltando a terra e invadindo a S.H.I.E.L.D. para roubar o Teserack iniciando o caos. Para impedir a destruição da terra será necessário uma grande defesa e para isso o  Diretor Fury (Samuel L. Jackson) decide juntar grandes personalidades: o Capitão América (Chris Evans), a Viúva Negra (Scarlett Johansson), o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), o Hulk (Mark Ruffalo),  o Thor (Chris Hemsworth) e o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) para defender a terra dessa grande ameaça que vem de outro mundo.


  Esse foi um dos filmes que eu mais tinha expectativa e não me decepcionei, pois mesmo os pontos “negativos” foram como eu esperava. Os Vingadores não é um filme com uma história de fundo, na verdade é um filme bem focado em ação (esse foi o ponto negativo que pensei), mas tudo isso é compensado com a produção e o roteiro do filme que são capazes de gerar momentos de descontração nas cenas de mais tensão e ação, um filme cheio de frases de efeito (eu poderia citar varias, daquelas que te fazem rir e você não consegue esquecer), e com uma combinação de personagens e personalidades que foi o que tornou o filme tão diferente (é muito bom ver as discussões do Stark com o Capitão América, por exemplo). O filme traz referências dos filmes anteriores exclusivos dos personagens, mas não prejudica o entendimento caso você não tenha visto algum (como eu que não assisti o segundo filme do Homem de Ferro e o filme do Capitão América), mas senti falta de um filme anterior que falasse sobre a Viúva Negra e o Gavião Arqueiro pois algumas referencias ficaram perdidas quando se tratava dos dois. Recomendo para aqueles que querem um momento de distração bem aproveitado e cenas de ação muito boas.


22 de maio de 2012

[Musical] Priscilla – rainha do deserto


Mal tenho palavras para descrever o que senti e o que acho do musical Priscilla: simplesmente uma experiência inesquecível que realmente trouxe os requintes da Broadway para os musicais brasileiros.


Priscilla é um musical inspirado no filme de mesmo nome do ano de 1994 e que mantém basicamente a mesma história: duas drags e uma transexual se juntam para fazer um show, porém para isso elas deverão atravessar a Austrália em um ônibus que recebeu o nome de Priscilla. No caminho vão encontrar muitas pessoas, como o mecânico Bob, que vai surpreender por fugir do estereótipo de homem do interior. Elas vão gerar várias situações cômicas e dramáticas, mas sempre cheias de música e estilo.


O musical foi extremamente bem produzido, com direção de Miguel Briamonte e tradução e adaptação de Flávio Marinho. O figurino estava lindo e as músicas escolhidas eram perfeitas - que foram mantidas em inglês mas com alguns trechos em versões só para dar um toque brasileiro que ficou sutil e perfeito. A produção merece um comentário a parte, pois o show de efeitos e luzes ficou muito além do que eu já tinha visto em um musical (o ônibus usado na cenografia possui o alto padrão do espetáculos internacionais). 


E claro que não poderia deixar de comentar sobre a peça motriz desse musical, os atores que representam os personagens principais: Luciano Andrey (Mitzy), André Torquato (Felicia) e Ruben Gabira (Bernadette) não são grandes conhecidos do meio mas são um show por si só e encarnaram os papéis de forma tão completa que é impossível não perceber a performance de Mitzy, o jeito louquinho e transgressor de Felicia e a classe de Bernadette. (Quando crescer quero ser Bernadette rs). Mesmo fazendo uma participação especial o ator Saulo (Bob) tem seu espaço bem definido e emocionante no espetáculo.


Recomento muito para todos aqueles que amam essa arte.

O musical está sendo exibido no Teatro Bradesco – Bourbon Shopping ( Rua Turiassu, 2.100 – 3º piso), de quinta e sexta, às 21h; sábado, às 17h e às 21h; domingo, às 16h e às 20h

Para mais informações acesse aqui


14 de maio de 2012

Quando ela se foi - Harlan Coben


Livro: Quando ela se foi
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro
Ano: 2011

Sinopse:
Dez anos atrás, Myron Bolitar e Terese Collins fugiram juntos para uma ilha. Durante três semanas, eles se entregaram um ao outro sem pensar no amanhã. Depois disso, eles se reencontraram apenas uma vez, quando Terese ajudou Myron a salvar seu filho. E ela foi embora, sem deixar vestígios.Agora, no meio da madrugada,ela telefona:“Venha para Paris.” Terese pede a ajuda de Myron para localizar o ex-marido, Rick Collins, que telefonara depois de anos implorando que ela o encontrasse em Paris. Eles logo descobrem que Rick foi assassinado e queTerese é a principal suspeita do crime. Mas algo ainda mais atordoante é revelado: perto do corpo havia longos fios de cabelo louros e uma mancha de sangue que o exame de DNA revelou pertencer à filha do casal. Só que sua única filha morrera em um acidente de carro muitos anos antes. Logo Myron se vê perseguido nas ruas de Paris e de Londres. As agências de segurança de quatro países parecem querer as mesmas informações de que ele precisa para desvendar a morte de Rick e o destino da filha que Terese pensava ter perdido para sempre. Em uma busca desesperada, Harlan Coben cria um mundo de armadilhas imprevisíveis em que conflitos religiosos, política internacional e pesquisas genéticas se mesclam a amizade, perdão e a chance de um novo começo.

Comentários: 
Quando ela se foi é um livro que me agradou. 
Posso dizer que esse livro apresenta um suspense mais suave, a história flui bem, mas os momentos de tensão possuem uma pitada de humor que torna tudo mais leve. O último (e único) livro que li do Harlan Coben foi Cilada que apresenta uma história com um fluxo de narrativa mais sério, com momentos de tensão e suspense (veja a resenha aqui), e com essa imagem comecei a ler o “Quando ela se foi” e tive uma surpresa que me causou estranheza mas logo acabou me agradando, a narrativa tem um outro embasamento, sim o suspense e os momentos de tensão são mantidos mas com toques de humor que mostram um outro lado dos livros de suspense. 
O livro conta a história de Myron Bolitar, um ex jogador de basquetebol que é um tanto impulsivo e descobre que Teresa com quem teve um caso rápido (bem rápido) no passado esta precisando da sua ajuda e com isso ele e seus amigos irão  acabar se envolvendo em uma trama com elementos muito maiores  do que os dramas de uma mulher.
Não quis me estender muito na sinopse para que cada parte da trama seja descoberta conforme a leitura flui. Depois que me acostumei com essa nova narrativa o livro acabou ganhando um espaço muito bom, a narrativa é em primeira pessoa, mas isso foi o que deu um diferencial a toda história, pois tudo é narrado por Bolitar e ele possui um humor e um sarcasmo que ganha a história inteira sem contar os personagens que mesmo sendo secundários roubam a cena em vários momentos como Win e Esperanza, amigos de Bolitar com passados bem diferentes e que possuem personalidades marcantes. A única coisa que me chamou a atenção é que mesmo tendo um romance, a personagem feminina, Terese não possui muito espaço na trama, mas como os outros são cativantes acabei não sentindo muita falta. 



9 de maio de 2012

[Dica] Eventos


Hoje trago como dica dois eventos dessa semana:

O primeiro é o lançamento do livro “Ponto Cego” do autor Felipe Colbert que acontecerá na Livraria FNAC Paulista, nesta quarta-feira (09/05/2012)



O segundo é o 3° Salão do Livro de Guarulhos que começou no dia 04/05 e vai até o dia 13/05. Para mais informações acesse aqui



1 de maio de 2012

O paciente inglês - Michael Ondaatje


Livro: O paciente inglês
Autor: Michael Ondaatje
Editora: 34
Ano: 1997

Sinopse:
No final da Segunda Guerra Mundial, numa vila abandonada na Itália, quatro pessoas vivem um encontro inusitado - uma jovem enfermeira cuja vida foi devastada pela guerra - um inglês desconhecido e moribundo, sobrevivente de um desastre de avião - um ladrão cujas 'habilidades' acabaram por fazer dele um herói de guerra - e um soldado indiano especialista em desmonte de bombas, a quem três anos de guerra ensinaram que 'a única segurança está em si mesmo'.

Comentários:
O Paciente Inglês foi o livro do desafio literário do mês de abril (sim atrasei um dia rs) e que se demonstrou realmente um desafio de leitura (demorei muito e a leitura não fluía) mas venci e consegui terminar.
O livro vai contar a história de quatro pessoas que se vêem unidas não por suas histórias de vida ou por qualquer afinidade ou pequenos pontos que geram coincidências em suas vidas, mas sim por um evento maior, pela Segunda Guerra e todo o sofrimento que ela infringiu a eles: Hanna, uma enfermeira está em uma Villa italiana abandonada cuidando de um paciente que possui o corpo todo queimado e uma das poucas coisas que ele diz se lembrar sobre sua identidade é de ser inglês.  Caravaggio, um ladrão que conhecia Hanna desde sua infância chega a Villa e, por fim, Kip o sapador (um soldado que entre outras coisas desarma minas) indiano que chega a Villa para desarmar as minas do local. E assim os personagens vão se entrosando e se aprofundando em suas vidas, histórias e sentimentos.
Como comentei no inicio, esse livro foi realmente um desafio para mim. A forma da narrativa se mostra mais complexa, misturando o fluxo de consciência dos personagens, os diálogos e as linhas temporais sem nenhum tipo de indicação, dificulta o entendimento de todos os acontecimentos. O inicio do livro é mais complexo, pois os personagens são apresentados aos poucos (inclusive seus nomes) e com essa narrativa sem ordem fica complicado saber em qual personagem a história está focada. Por ser uma narrativa intimista, mais centrada nos conflitos internos dos personagens, o ritmo é mais lento, mas em alguns (em muitos) momentos a lentidão acaba tornando a leitura cansativa. 
Como nem tudo é uma crítica, ressalto que uma das coisas que me agradaram nesse livro foi poder perceber como a guerra interferiu e afetou os personagens, e isso ficou nítido no final do livro (que foi o que mais me agradou na narrativa). Depois do livro não fiquei curiosa, pelo menos por enquanto, para assistir ao filme, quem sabe no futuro.

“Sou uma pessoa que, se for deixada sozinha na casa de alguém, vai até a estante de livros, apanha um volume e inala o seu conteúdo.” p. 19

“Tinha uma certa vaguidão, uma incerteza que lhe dava um encanto hesitante. Era diferente da maioria dos homens.” p. 66

“Sabe que o único jeito de aceitar perdê-la está em continuar ampará-la ou ser amparado por ela. Em cuidarem um do outro para, de algum modo, se livrarem disso tudo. Nada de muro.” p. 108