30 de março de 2014

[DDI] Espelho


Como todos os dias, ela voltava pra casa e, depois de colocar a bolsa sobre o móvel,  tirar a roupa e os saltos, ela sentava em frente ao seu espelho.
Olhava para aquele rosto, tão maquiado, montado e perfeito, os cabelos arrumados e penteados, olhava essa imagem e não se reconhecia. Neste momento começava seu ritual: retirava a maquiagem dos olhos e em seu lugar assumia as verdadeiras sombras que permeavam seu olhar cansado, as pálpebras caídas de alguém que desistiu de lutar, as olheiras que se mostravam e revelavam suas noites mal dormidas, em sua cama apenas ela e seus pesadelos. 
Retirava o corretivo e a base, e com eles se iam as mentiras que lhe contavam, que ela era feliz, que o mundo lhe pertencia, que seu futuro era promissor. A dura realidade enrijecia os músculos de sua face, ela não queria nada daquilo, como perseguir seus sonhos se ela mal os conhecia, lutar pelo que acreditava, sendo que a única coisa que lhe fazia sentido era que tudo tinha um fim. Essas eram as suas verdades. 
O batom era o próximo, e o sorriso falso saía como tinta no algodão, seus lábios uma triste linha reta sem expressão, não entendia como as pessoas acreditavam tão fortemente em seu sorriso, seu ânimo cuidadosamente forjado e seus surtos de alegria meticulosamente programados, ninguém nunca desconfiou, ninguém nunca viu. 
Desmontava seus cabelos, tirava os grampos e prendedores e eles caiam por suas costas livres das amarras em que ela mesma se prendia. Os ombros caiam, a pose se esvaia.
Ela olhava para o espelho e depois de tudo ela realmente se via, apenas ela se conhecia assim, tão pura, tão natural, tão triste. E, nesses breves momentos, ela se sentia completa. 


Daniele A. Vintecinco


DDI – Delírios, Devaneios e Insensatez - um espaço em que escrevo todos os pensamentos, delírios e devaneios que vêm a minha cabeça, o que é no mínimo uma insensatez. 

28 de março de 2014

[Teatro] Teatro Musical em Festa




Esse espetáculo não foi tanto uma peça, mas sim uma homenagem ao trabalho de todos os envolvidos no teatro musical nacional como a iniciativa do Sesi em abrir uma escola de teatro musical. 

Essa apresentação foi organizada por Miguel Falabella e juntou vários artistas de musicais para apresentar as canções daquelas grandes produções, sendo esses: Cláudia Raia e Jarbas Homem de Mello (Crazy For You), Laila Garin (Elis A Musical), Emílio Dantas (Cazuza), Danilo de Moura (Tim Maia), Saulo Vasconcelos (A Bela e a Fera), Sara Sarres (O Fantasma da Ópera), Kiara Sasso (A Noviça Rebelde), Ester Elias e Marcos Tumura (Les Misérables), Amanda Costa (My Fair Lady), Raquel Ripani, Andrezza Massei (Mamma Mia!), Cleto Baccic (Cats), Bianca Tadini (West Side Story), Cláudio Galvan (Império), e o elenco de A Madrinha Embriagada.

Quando soube desse projeto fiquei simplesmente louca, não há definição melhor, eu precisava assistir, apesar de não ter podido ver ao vivo (filas enormes que começaram de manhã e eu só saio do trabalho às 18 horas), mas para minha total sorte o Sesi apresentou também em livestream. 
Vou dizer que poder assistir essa apresentação marcou minha vida, sim, sim, eu amo musicais, e naquele momento pude ver um pouquinho de tudo. Entre momentos de discursos e de apresentação fiquei totalmente encantada, extasiada, na verdade mal tenho palavras para descrever. 

Mesmo sem cenário próprio (uma boa parte foi feita com o cenário do Madrinha Embriaga) e também mesmo sem o figurino os atores provaram que o musical é muito mais além desses elementos, é música, interpretação e sentimento. 
Poder rever trechos de músicas que pude ver no palco antes (nem lembrava que já faziam quatro anos que fui assistir Cats) ou aquelas em que eu tinha apenas a vontade (e frustração) de não ter acompanhado (O Fantasma da Ópera, Os Miseráveis, meu deus são tantos rs), cantar junto, aprender músicas novas, foi uma experiência plena. 

Porém o que mais ficou claro nesse espetáculo é a nossa competência em produzir musicais de qualidade, temos ótimos atores, roteiristas, produtores, músicos entre tantos excelentes profissionais, nós brasileiros também sabemos produzir mágica no palco. 


26 de março de 2014

[Livro] Antes de Dormir – S.J.Watson



Livro: Antes de Dormir
Titulo Original: Before I go to Sleep
Autor: S.J.Watson
Editora: Record
Ano: S.J. Watson
Avaliação: 3,5/5
Sinopse:Todas as manhãs, Christine acorda sem saber onde está. Suas memórias desaparecem todas as vezes que ela dorme. Seu marido, Ben, é um estranho. Todos os dias ele tem de recontar a vida deles e o misterioso acidente que tornou Christine uma amnésica. Encorajada por um médico, ela começa a escrever um diário para ajudá-la a reconstruir suas memórias, mas acaba descobrindo que a única pessoa em quem confia talvez esteja contando apenas parte da história.

Comentários:  
Fiquei felizmente surpresa com o romance de estreia de S.J. Watson. 
Um triller de suspense muito bom, com reviravoltas que deixam o leitor sem fôlego esperando para saber o que irá acontecer nas próximas páginas. Comecei a ler este livro sem muitas expectativas em relação tanto ao enredo como da narrativa e fiquei muito empolgada com o que vi. 
S.J. Watson conta a história de Christine, uma mulher que por algum motivo possui um grave problema de memória e a cada dia em que ela acorda sua memória é “apagada” e ela não sabe direito quem é, onde está, quantos anos possui e como é sua vida, e com isso ela terá que descobrir a cada dia sua identidade e sua história tendo o risco de dormir e perder tudo o que sabe todas as noites. 
A técnica usada pelo autor para contar essa história foi muito boa, o livro é dividido em partes, sendo uma delas uma narrativa em primeira pessoa de Christine e outra um diário que a personagem escreve para poder ajudá-la com seu problema de memória e isso tornou a escrita muito mais intima, além de que tanto o leitor como Christine descobrirem aos poucos os fatos ainda tem aquela sensação de proximidade ao ler o diário dela. Essa parte do diário também possui um outro diferencial (que acho que foi aplicado para não tornar a leitura cansativa), que ao invés de nos depararmos com um tradicional diário, aqui há representações das situações que ocorreram, com diálogos e descrição de cenários, com o fluxo de pensamentos da personagem após as cenas. 
O fato de Christine ter de ser lembrada de todas as informações de sua vida a cada manhã pode passar uma falsa impressão de que a história possa se tornar repetitiva, mas as técnicas do autor em resumir os acontecimentos cotidianos e focar nas novas descobertas empregam um bom ritmo a obra.
A construção do enredo foi outra agradável surpresa, todos os acontecimentos foram muito bem amarrados para levar ao evento final, todo o suspense e tensão são muito bem criados e acentuados pela perda de memória de Christine. 
Os personagens possuem uma construção diferente, toda a história é contada por Christine que além de se esquecer de quem é esquece-se de quem vive a sua volta então não há construção de personalidades, mas um grande detalhamento sobre os personagens que irão construir o panorama da história. 
Como boa parte dos romances iniciantes há pontos na história que poderiam ser melhorados (por exemplo, um pouco depois da metade do livro eu já tinha mais ou menos deduzido o desfecho), porém o que mais me incomodou foi o final que acabou ficando muito em aberto, deixando que uma das propostas da trama não fosse respondida. 
Gostei muito de “Antes de Dormir” uma história de suspense para aqueles que gostam de ficar presos a um livro até descobrir o final. 


24 de março de 2014

[Teatro] Crazy For You – Musical


Depois de ver o trabalho de Cláudia Raia e Jarbas Homem de Mello em Cabaret não poderia deixar de ver os dois em seu último musical, Crazy for You.
Com uma história leve e muitas cenas de dança Crazy for You é uma daquelas obras para adoçar a alma.
A história é baseada no livro de Ken Ludwig e conta a vida de Bobby Child, um playboy de Nova York que é filho de uma bancária e noivo de uma mulher rica, porém seu sonho não é cuidar do banco mas sim cantar e dançar nos palcos. Com sua mãe e sua noiva brigando para controlar sua vida Bobby vai para uma cidadesinha do interior chamada Pedra Morta com a finalidade de executar uma hipoteca de um teatro. Lá ele conhece Polly, a única mulher da cidade, bem masculinizada e interiorana, e se apaixona por ela. Porém ela é filha do dono do teatro que ele busca executar e com isso toda a história se desenrola. 

O forte desse espetáculo não é um texto elaborado, mas sim as músicas e, principalmente, as danças. No estilo dos musicais antigos as coreografias são baseadas no sapateado, o que me encantou ainda mais, bem coreografadas as cenas são lindas e dizem tudo o que um bom texto diria. Com um cenário e figurino competentes, o musical está maravilhoso do começo ao fim.

Mais uma adaptação do Miguel Falabella que entrou pra minha lista de favoritas (na verdade todas as que vi dele estão na lista)
Para aqueles que estão interessados a temporada já está no fim tendo apenas mais esse fim de semana de espetáculo. 

No Teatro Bradesco, Shopping Bourbon São Paulo (Rua Turiassu, Piso Perdizes, 2.100 - Perdizes).


22 de março de 2014

[DDI] Releituras


Há um tempo tive que reler o livro Cira e o Velho para um evento que iria participar e me vi, depois de alguns anos, ainda presa à história, mesmo que já soubesse o fim e a trama isso não impediu que eu me encantasse mais uma vez pela história que já tinha me prendido antes. E pelo tempo que tinha passado desde meu primeiro encontro com Cira posso também dizer que foi uma leitura diferente, como diz o filósofo “não se pode entrar duas vezes no mesmo rio”, nem eu nem o livro somos mais os mesmos, eu adquiri uma bagagem maior e uma outra percepção, o livro foi discutido,comentado e descoberto, somos diferentes e assim também é a leitura. 

Isso me fez pensar sobre releituras em geral, como seria retornar hoje a mundos, histórias e personagens que já tinha conhecido antes. 
Como seria reler, depois de conhecer e percorrer o mundo da magia, os sete livros de Harry Potter, como o tempo teria mudado a percepção desse livro que me marcou e é um ícone para mim até hoje. 

Será que hoje teria mais paciência ao reler Senhor dos Anéis sem querer passar as descrições desesperadamente para descobrir o que iria acontecer (e só para esclarecer eu não pulei nem uma linha, muita força de vontade rs)? 

Será que ainda me encantaria com as façanhas da narrativa de Machado de Assis assim como fiquei boquiaberta quando li? Será que seus narradores me apresentariam tantas especulações e facetas como da primeira vez?

Tantos livros que mudaram minha vida, será que hoje eles ainda me mudariam? 
Nem eu sou a mesma nem os livros, mas o amor pela leitura só aumenta, e acho que terei que reler vários para descobrir quais lições e encantos se esconderam de mim quando os conheci pela primeira vez. 



DDI – Delírios, Devaneios e Insensatez - um espaço em que escrevo todos os pensamentos, delírios e devaneios que vêm a minha cabeça, o que é no mínimo uma insensatez. 

20 de março de 2014

[Filme] Gravidade


Título original: Gravity
Duração: 90 min. 
Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro: Jonás Cuarón e Alfonso Cuarón
Distribuidora: Warner Bros.
Ano: 2013
Avaliação: 4/5
Sinopse: 
Matt Kowalski (George Clooney) é um astronauta experiente que está em missão de conserto ao telescópio Hubble juntamente com a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock). Ambos são surpreendidos por uma chuva de destroços decorrente da destruição de um satélite por um míssil russo, que faz com que sejam jogados no espaço sideral. Sem qualquer apoio da base terrestre da NASA, eles precisam encontrar um meio de sobreviver em meio a um ambiente completamente inóspito para a vida humana. (Fonte: AdoroCinema)

Comentários: 
Poderia falar que este post é uma resenha do filme Gravidade, mas também de como uma birra foi desfeita. 
Assumo que antes do Oscar só tinha assistido Clube de Compras Dallas e 20 minutos do Gravidade e quando vi que este último tinha angariado vários prêmios (majoritariamente da parte técnica) eu fiquei me perguntando o que esse filme tinha de tão bom para levar tantas estatuetas (e eu só tinha conseguido ver alguns minutos) ai criei uma birra e fui comprovar se o filme era tudo isso, e na parte técnica ele é. 

Quando tentei assistir pela primeira vez achei que o filme seria chato, afinal só a atriz no espaço não era uma história que chamava minha atenção, mas me enganei, acho que a combinação de um tempo curto (o filme dura em média 1 hora e meia) e lindos efeitos visuais e sonoros com sequências de ação não deixa com que a história fique chata. 
A história é sobre dois astronautas que estão no espaço fazendo manutenção no equipamento, até que são atingidos por uma chuva de meteoros e acabam sozinhos e sem comunicação e têm que tentar voltar pra casa. E com isso ele tratará sobre a solidão humana e como ela é trabalhada.

A atuação de Sandra Bullock está muito boa, contando que ela consegue levar quase o filme todo sozinha, mas o que realmente me chamou atenção foi a parte técnica do filme, a fotografia está linda, a trilha sonora é encantadora (considerando que ela tem que representar o silêncio já que o som não se propaga no espaço) e as cenas em gravidade 0 (quase o filme todo) estão espetaculares. 
Este não é o melhor filme que já assisti, mas a produção é linda.


18 de março de 2014

[Livro] Sedução ao Amanhecer – Lisa Kleypas


Livro: Sedução ao Amanhecer
Titulo Original: Seduce me at Sunrise
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Ano: 2013
Avaliação: 3/5
Sinopse:O cigano Kev Merripen é apaixonado pela bela e bem-educada Win Hathaway desde que a família dela o salvou da morte e o acolheu, quando era apenas um menino. Com o tempo, Kev se tornou um homem forte e atraente, mas ainda se recusa a assumir seus sentimentos por medo de que sua origem obscura e seus instintos selvagens prejudiquem a delicada Win. Ela tem a saúde fragilizada desde que contraiu escarlatina, num surto que varreu a cidade. Sua única chance de recuperação é ir à Franca, para um tratamento com o famoso e bem-sucedido Dr. Harrow. Enquanto Win está fora, Kev se dedica a coordenar os trabalhos de reconstrução da propriedade da família, em Hampshire, transformando-se num respeitável administrador, mas também num homem ainda mais contido e severo. Anos depois, Win retorna, restabelecida, mais bonita do que nunca... e acompanhada por seu médico, um cavalheiro sedutor que demonstra um óbvio interesse por ela e desperta o ciúme arrebatado de Kev. Será que Win conseguirá enxergar por baixo da couraça de Kev o homem que um dia conheceu e tanto admirou? E será que o teimoso cigano terá coragem de confrontar um perigoso segredo do passado para não perder a mulher da sua vida? (Fonte: Skoob)


Comentários:
Sedução ao Amanhecer é o segundo livro da série Os Hathaways (uma observação: os livros da série Hathaways são independentes entre si, possuem cada um, início, meio e fim, podendo ser lidos em qualquer ordem, mas eu recomendo que sejam lidos na ordem correta pois é possível pegar spoiler dos anteriores) que irá tratar agora da história de Kev Merripen com Win, uma das irmãs. 
Gostei bastante do primeiro livro e tinha uma grande expectativa para esse e acho que esse foi todo o problema, o livro não é ruim, a narrativa da Lisa ainda é envolvente com uns toques hots e mesmo tendo o foco em um casal ela não deixa de desenvolver os outros personagens, mas gostei muito mais da química de Amelia com Cam do que de Win e Merripen. 
A história irá seguir do ponto em que Desejo à Meia-Noite parou, Win foi para uma clínica na França para tratar de seu problema respiratório e Leo, seu irmão, foi para acompanhá-la. Neste meio tempo a vida do resto da família Hathaway segue, Amélia e Cam estão juntos, Poppy e Beatrix começam a frequentar a sociedade londrina, porém Merripen não consegue continuar sua rotina normalmente sem Win e acaba se tornando um homem recluso, agressivo e arisco e ajuda a família reconstruindo a casa que tinha sofrido um acidente. Porém a volta de Win gera uma reviravolta e Kev terá que lidar com o que sente por ela e algo ainda maior, sua verdadeira natureza e o segredo de seu passado. 
Lisa mostra nesse livro um pouco mais da história da família, usando de flashback para contar sobre a origem de Merripen e a relação familiar entre eles antes dos acontecimentos do primeiro livro. 
Uma das coisas que me incomodou é que ao contar sobre o passado dos protagonistas achei o inicio da atração deles um tanto quanto forçada, não muito natural. Sem contar que em alguns pontos os dramas entre eles me cansaram, muitas situações poderiam ser resolvidas com uma conversa, a teimosia e resistência de Kev me irritaram, mesmo ele tendo seus motivos a oscilação entre “te quero mas não posso” me cansou. 
Como uma continuação da trama eu gostei do livro, conheci um pouco mais sobre os ciganos, que é um dos elementos que mais me chamam a atenção nessa série e já vai preparando os acontecimentos para os próximos. 
Agora quero ler Tentação ao Pôr do Sol, que será focado em Poppy. 
Apenas um pequeno ps: uma das coisas que mais me irrita nessa série é que as capas do segundo e do terceiro livro para mim poderiam ser trocadas, Win é loira e aparece com um vestido branco em uma parte da narrativa (como na capa do terceiro)... mas essa é apenas uma chatice minha rs.


Série Os Hathaways: 
1. Desejo à Meia-Noite (resenha)
2. Sedução ao Amanhecer
3. Tentação ao Pôr do Sol 
4. Manhã de Núpcias 
5. Love in the Afternoon

16 de março de 2014

[Série] Castle – Quarta Temporada




Título Original: Castle
Temporada: Quarta
Ano: 2011/2012
Criador: Andrew W. Marlowe
Emissora: ABC
Episódios: 23
Avaliação: 4/5


Comentários: 
Após a eletrizante terceira temporada seria muito complicado continuar mantendo o ritmo e por isso a quarta temporada foi um pouco mais parada, mas com um início de segurar o fôlego e um final de dar pulos. 
Nesta temporada Beckett terá que lidar com o grande acontecimento que encerrou a terceira temporada e tentar seguir em frente com sua vida, que na verdade é a parte mais complicada. Castle terá que saber trabalhar seus sentimentos e descobrir até que ponto ele pode ir por algo que quer. 
Bom, depois dos momentos de tensão nos primeiros episódios a rotina da série voltou com eles resolvendo os casos e com sua característica tradicional, as reviravoltas conforme as pistas vão surgindo, e com isso fiquei um pouco desanimada, mas no final a série pega o ritmo de tensão de novo e o final era o que eu sempre esperei e adorei. 

Quanto mais tempo o elenco trabalha junto mais é possível perceber a interação entre os personagens, mesmo com a entrada de uma nova personagem, Victoria Gates (Penny Johnson Jerald) nova capitã de polícia, que possui uma personalidade forte e vai marcar lugar logo de início. Nessa temporada também foi explorado o crescimento de Alexis que está preste a concluir o colégio e terá que ir para a faculdade, assim como um pouco mais da vida pessoal de Esposito e Ryan. 

Estou superansiosa para assistir a quinta temporada. Começando agora. 



14 de março de 2014

Exposição – Grimm Agreste



Um dia olhando o site da Veja SP me deparo com uma exposição sobre os irmãos Grimm mas adaptada para o estilo nordestino, logo pensei “por que não??” e lá fui eu. 
A exposição está no Sesc Interlagos e pra dizer o mínimo ela é intrigante. Baseada no livro Contos Maravilhosos Infantis e Domésticos, dividida em cinco ambientes, cada um com uma proposta diferente e bem interessante. 
No primeiro ambiente que visitei, chamado Sala Prefácio, era possível ver pinturas no chão e nas paredes com trechos sobre a história dos irmãos como dos contos em que foi baseada a exposição. Há totens no teto representando os cenários em que as histórias ocorrem, como A Torre, A Floresta, o Lago, entre outros, há desenhos e frases no chão, esse primeiro ambiente já é arrebatador e uma boa dica dos encantos por vir. 


O segundo ambiente, com o nome Mar de Histórias, é o mais psicodélico e o mais difícil de digerir e entender (pelo menos foi para mim) de um lado da parede há uma montagem com vários objetos chamada Todas as Coisas do Mundo, em que cada objeto é uma charada ou dica, na parede oposta há as 156 Caixinhas Encantadas em que cada caixa representa um dos 156 contos. 


Daí passei para um bosque, que é o ambiente mais tranquilo da exposição, no centro há uma exposição de xilogravuras e uns espaços com bancos em que se pode sentar e ouvir alguns dos contos. 

O observatório foi o ambiente que menos aproveitei, fica na varanda. 

O ambiente que meu lado viciado em livros mais amou foi a Biblioteca, um espaço com uma grande mesa, bancos e sofás onde se pode ler os livros que estão expostos (inclusive o que inspirou a exposição) entre tantos outros, além de caixas que estão suspensas e é possível encontrar uma surpresa em cada uma. 


Adorei a exposição, e acho que poderia ter aproveitado melhor se conhecesse mais contos dos irmãos Grimm, mas isso não impediu que eu ficasse deslumbrada com cada estrutura. Recomendo a visita, sem contar que o Sesc é um ótimo lugar para passar o dia (apesar de ter sido quase uma viagem chegar lá rs).
A exposição está no Sesc Interlagos, ficará disponível até 31 de agosto, de quarta a domingo e feriados, das 10 às 16 horas.

12 de março de 2014

[Filme] Clube de Compras Dallas


Título original: Dallas Buyers Club
Duração: 117 min.
Direção: Jean-Marc Vallée
Roteiro: Craig Borten e Melisa Wallack
Distribuidora: Universal
Ano: 2014
Avaliação: 4,5/4
Sinopse: Em 1986, o eletricista texano Ron Woodroof é diagnosticado com AIDS e logo começa uma batalha contra a indústria farmacêutica. Procurando tratamentos alternativos, ele passa a contrabandear drogas ilegais do México. (Fonte: Cinemark)


Comentários: 
Dos filmes indicados ao Oscar era um dos que estava mais curiosa para assistir, e gostei muito da história, mas o que realmente me ganhou foram as atuações. 
O filme se passa em 1985 e traz um tema bem polêmico para aquela época, a Aids, que foi abordada de um jeito diferente e bem real, sendo que o filme vai trazer a história de dois personagens portadores do vírus, um travesti e um eletricista texano (daqueles no estilo bem machões e homofóbicos), o que ressalta bem o preconceito daquela época, em que se acreditava que apenas homossexuais poderiam ser contaminados. 

Mas além da história, muito bem contada, de como é a vida de quem se contamina, a degradação física, o emocional, a revolta, o medo, tudo foi muito bem demonstrado, há um lado ainda mais impactante (pelo menos pra mim) que é a atuação da indústria farmacêutica pelos testes do AZT e sua indiferença entre tantas outras coisas. 
Gostei muito do filme, de como Ron não parou de tentar melhorar, mesmo tendo uma péssima perspectiva em relação à doença, ele buscou viver sem se conformar ou desistir. Sua relação com Rayon é outro ponto muito bom, como ela muda e evolui ao longo do filme. 
Mas o que mais me chamou a atenção nesse filme foi a atuação de Matthew McConaughey, que entrou no papel, era totalmente possível ver o típico caubói texano quando olhava para ele, sem contar a mudança física que foi sensacional, eu sei que isso não é uma garantia de boa atuação mas demonstra, no mínimo, uma enorme representação de esforço do ator em se entregar ao papel (e no caso de Mattew também contamos com sua ótima atuação). Porém o que mais me chamou atenção durante o filme foi Jared Leto, diferente das muitas interpretações forçadas ele trouxe uma delicadeza e dignidade ao seu papel, amei, e sua caracterização está perfeita. 

Uma curiosidade é que o longa é inspirado em fatos reais, e a única coisa que me impediu e dar 5 ao filme é que seu ritmo é um pouco lento, mas isso faz parte da construção da história. 

10 de março de 2014

[Livro] Métrica – Colleen Hoover


Livro: Métrica
Titulo Original: Slammed
Autor: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Ano: 2013
Avaliação: 3,5/5
Sinopse:O romance de estreia de Colleen Hoover, autora que viria a figurar na lista de best sellers do New York Times, apresenta uma família devastada por uma morte repentina. Após a perda inesperada do pai, Layken, de 18 anos, é obrigada a ser o suporte tanto da mãe quanto do irmão mais novo. Por fora, ela parece resiliente e tenaz; por dentro, entretanto, está perdendo as esperanças. Um rapaz transforma tudo isso: o vizinho de 21 anos, que se identifica com a realidade de Layken e parece entendê-la como ninguém. A atração entre os dois é inevitável, mas talvez o destino não esteja pronto para aceitar esse amor.

Comentários:  
Após várias leituras densas, complicadas, difícieis ou problemáticas decidi que queria uma leitura leve e descontraída e minha escolha foi Métrica, de Colleen Hoover. 
Como uma leitura de descontração não me arrependi nem um pouco de poder relaxar com Métrica, uma história que ganha o leitor aos poucos e que mostra uma característica diferente como parte do enredo, o slam (que é uma competição de poesias em que o autor declama uma criação própria e é julgados por jurados). 
Como um livro YA Métrica possui várias características desse estilo, um romance, um drama e a evolução e amadurecimento dos personagens e o envolvimento gradual do casal principal. 
Tudo começa quando Lake tem que se mudar junto com a mãe e o irmão mais novo para outra cidade devido a morte de seu pai. Lake ainda está enfrentando o luto, mas tenta superar tudo pelo irmão e pela mãe. Logo no primeiro dia ela conhece Will, um vizinho simpático e por quem Layken logo sente uma atração. Tudo parece muito bem até que algo ocorre em seus destinos que torna o relacionamento dos dois mais complicado e difícil. 
Mesmo regado a dramas tenho que dizer que foi uma leitura tranquila, o ritmo foi rápido, a narrativa é linear e regada a diálogos. A narrativa de Colleen Hoover segue o padrão do estilo, há a tensão entre os dois (que na verdade acho que poderia ser um pouco mais explorada, a interação entre eles é muito mais “platônica” do que física em grande parte do livro), mas podemos conhecer bem as características dos personagens principais. Os personagens secundários tem um pequeno espaço, mas o que realmente se destacaram foram os irmãos mais novos de Lake e Will e a amiga de Lake faz na nova escola, eles possuem personalidades marcantes e diferentes do padrão. 
Uma leitura suave, com poucos grandes momentos, mas que me relaxou e me deixou pronta para os próximos livros. Uma leitura descontraída e despretensiosa. 

8 de março de 2014

[Teatro] TOC TOC



Ao ler comentários, notas e resenhas sobre a peça TOC TOC logo as informações despertaram a minha curiosidade que foi lindamente suprida ao assistir ao espetáculo regado a risadas e bom humor. 
Imaginem a situação, em uma sala de espera de um consultório esperando seu horário de consulta estão seis pessoas. 

Fred, que sofre de uma síndrome que o faz dizer palavras obscenas, constantemente; Vicente que tem um TOC e não consegue parar de fazer contas; Branca é neurótica por limpeza e morre de medo de ter uma doença; Maria, a religiosa, sempre acha que esqueceu tudo aberto e sempre precisa conferir suas coisas; Bob é fanático por simetria e não pode pisar em listras e Lili que tem a síndrome da repetição, e precisa dizer cada frase duas vezes. Enquanto esperam seu psicólogo chegar decidem fazer uma terapia em grupo, e é ai que há o ápice das risadas durante o espetáculo.
Essa peça é uma comédia na essência, tratando de um assunto sério ela garante risadas desde o primeiro diálogo. 

Os personagens são envolventes e cativantes, é possível perceber o quanto é difícil para eles conviverem com seus TOCs (Transtornos Obsessivos Compulsivos), mas mesmo assim é impossível não rir das situações geradas. Eles se entregam aos papéis e a interação do grupo é perfeita. 
O cenário é simples e não há alteração, tudo acontece na sala de espera do consultório, mas isso só dá mais força as piadas já que deixa os personagens restritos a um espaço para poderem lidar com seus problemas. 
O roteiro da peça me surpreendeu, as falas e os diálogos são bem elaborados e bem naturais, é possível perceber que mesmo levadas aos extremos, essas síndromes são bem reais e ao ver a peça é quase inevitável sentir uma identificação com algum dos personagens, eu me identifiquei com a Maria (droga de mania de verificar tudo várias vezes e mesmo assim achar que deixei a porta aberta rs). 

Amei a peça e recomendo para aqueles que querem ter um bom momento de risadas, o teatro é bem aconchegante e possui uma cafeteria linda rs. 
TOC TOC está sendo apresentado no teatro APCD (Rua Voluntários da Pátria, 547 Tel.: 2223-2424), está com sessões aos sábados, às 21 horas, e domingos, às 19 horas, em temporada até 30 de março. 

6 de março de 2014

[Série] Lost Girl – Segunda Temporada



Título Original: Lost Girl
Temporada: 2
Ano: 2012
Roteirista: Emily Andras
Emissora: Showcase
Episódios: 22
Avaliação: 4/5



Comentários: 
Cuidado, esta resenha pode conter spoilers da temporada anterior.
O que esperar da segunda temporada de uma série que me arrebatou logo na primeira, que ela consiga manter o mesmo nível que a anterior. Bom, Lost Girl me impressionou muito em vários aspectos, mas alguns pontos ficaram a desejar. 
Continuando a trama de Bo, ela agora precisa lidar com várias informações que descobriu, quem é sua mãe, a distância de Dyson e as mudanças nos Faes da Luz. 

O ritmo da trama ainda continua o mesmo que na primeira temporada, a série tem um desenvolvimento rápido e a história é voltada toda em um mistério que irá se desenvolvendo conforme o tempo. 
A relação entre os personagens foi melhor explorada, Bo agora terá que enfrentar seus sentimentos por Dyson e Lauren, a relação entre ela e Kenzy é ainda mais fortificada sem contar que os personagens secundários são tão bem trabalhados que acabam se tornando principais também. 

Esta segunda temporada foi muito boa para conhecermos mais sobre Bo e os que a rodeiam, criou um novo mistério e deixou um enorme gancho para a próxima temporada. 

E como na vida quase nada são apenas elogios, a única coisa que me desagradou foi que no grande foco da história, eu esperava uma produção maior, mais personagens envolvidos, principalmente pelo que é comentado ao longo dos episódios porém não ocorreu isso, o caso ficou apenas entre os personagens que já conhecemos, dando uma dimensão bem menor do que eu esperava. 

Veja aqui a resenha da primeira temporada