29 de abril de 2014

[Livro] Divórcio - Ricardo Lísias


Livro: Divórcio
Autor: Ricardo Lísias
Editora: Alfaguara
Ano: 2013
Avaliação: 4.5/5
Sinopse: Em agosto de 2011, casado há 4 meses, o narrador de Divórcio encontra acidentalmente o diário da esposa em que, entre outras coisas, ela escreve: “O Ricardo é patético, qualquer criança teria vergonha de ter um pai desse. Casei com um homem que não viveu.”. “Depois de quatro dias sem dormir, achei que tivesse morrido”, o narrador, Ricardo Lísias, desabafa. A partir de então, descreve o que chama de “seu desmoronamento” e a tentativa de compreender o que o levou ao ponto crítico. A literatura, e treinos de corrida cada vez mais intensos, servem para que alguma lucidez retorne a sua vida. Mas nem sempre é possível explicar friamente o que ocorreu, dar ordem aos sentimentos conflitantes, à dor e à obsessão, ao desejo de esquecer. É isso o que torna Divórcio um romance sem paralelos. Num fluxo emocionante, numa reconstrução ficcional da memória, o autor ultrapassa os limites da autoficção e alcança um novo terreno, em que a literatura — a literatura combativa, desafiadora — tem a última palavra.

Comentários:

Fiquei na expectativa pela leitura de "Divórcio" desde 2011, quando participei de um curso livre de contos ministrado pelo autor do livro e acompanhei, mesmo que superficialmente e à distância, os acontecimentos que deram origem ao livro.

"Divórcio" teve como inspiração a experiência vivida pelo autor naquele mesmo ano, após passar por um processo traumático de separação. E, embora autor e narrador possuam o mesmo nome e tenham passado por um processo semelhante, o que há em comum entre eles termina aí. Um é uma pessoa real. O outro é um personagem ficcional.

Ricardo Lísias põe em xeque a questão do narrador e do que é autobiográfico ou ficcional de modo perturbador, desconstruindo de modo interessante a figura do narrador como estamos acostumados a encontrar - a todo momento a incerteza e desconfiança em relação a este narrador tomaram conta de mim durante a leitura. Assim como o Bentinho em "Dom Casmurro", este narrador parcial conduz os fatos e influencia as nossas certezas e opiniões sobre o que é narrado por ele. Ao reconstruir memórias, tenta compreender o que deu de errado em seu casamento, entremeando com situações vividas por ele em outros momentos de sua vida.

Estilisticamente, o livro é impecável. Do caos vivido pelo narrador à ordem encontrada por ele com muito custo através das corridas e da literatura, reproduz de modo pungente a confusão e vulnerabilidade dele no início do romance, quando a perda da própria pele causa incômodo e sofrimento extremos, desnudando todas as suas fraquezas, inseguranças e ansiedades. Há a constante repetição de trechos, como se remoendo ideias e sentimentos a todo instante, e a todo instante buscando um novo sentido, acrescentando detalhes que ajudam a compor este grande mosaico. Cada parte do livro não é um capítulo, mas um quilômetro percorrido pelo narrador, mostrando que o livro todo é um processo de reconstrução deste "eu" em pedaços.

Conforme há o desenvolvimento do livro, somos apresentados a um narrador cada vez mais coerente, que na corrida e na literatura encontrou a sua salvação, a sua forma de manter a lucidez. Assim, ao analisar a própria produção literária no romance, este narrador acaba analisando a sua própria vida - pois um está intrinsecamente ligado ao outro. Faz parte do seu ser.

Terminei a leitura ontem e, honestamente, este livro me deu muito no que pensar. Ainda quero reler e ponderar certos aspectos que nem entraram nesta resenha (que, confesso, não está nem perto de dizer o quanto o livro é fantástico), mas que são muito válidos para a compreensão de "Divórcio". Agora é ler mais coisas do autor, que sei que vai valer a pena.


A literatura serve-me em grande parte para isso: adoro ficar remexendo a linguagem, medindo todas as possibilidades e tentando entender até onde posso ir, para no final pesar o resultado e refletir para saber se o texto realmente me expressa. É a maneira que tenho, silenciosa e discreta, de sair organizadamente da confusão que tantas vezes me assalta por dentro. Se mergulhar nos ruídos do mundo exterior, nos lugares cheios de luzes, música e gente encostando em mim, vou me machucar. - p. 37


27 de abril de 2014

[DDI] E assim terminamos...




E foi assim que nós terminamos. 

Não houve gritos, surtos ou acusações. Não rasgamos roupas nem jogamos objetos pela casa. Não procuramos culpados, mal conhecíamos o crime, mas sabíamos que ele tinha acontecido. As evidências estavam espalhadas pelos cômodos, nos porta-retratos tão antigos que nem se parecem mais com a gente, no quarto vazio esperando eternamente a chegada do seu novo membro, que por fim não veio (não estávamos prontos, nunca era o tempo certo), na cama com os travesseiros separados, na mesa vazia e no jardim abandonado. 

Não terminamos aos berros, mas sim no silêncio. Não aquela quietude acolhedora de fim de tarde, mas naquele vazio das palavras não ditas. O silêncio nos dominou aos poucos, começou pelas conversas noturnas (estávamos sempre tão cansados), depois foram os telefonemas, os almoços e os cafés da manhã, por fim nos tomou como um todo, falávamos apenas o essencial sobre contas e compras, nunca mais sobre nós mesmos. 

O fim chegou devagar, quase como as estações do ano. Não percebemos as sutis mudanças até que elas estivessem completas. As folhas das árvores ficaram amarelas e caíram e nós não vimos. Na verdade, perdemos tantas coisas. 

Não sei se poderíamos ter feito algo diferente. Como unir caminhos que se separaram tanto? Não nos reconhecemos e com isso perdemos também um pouco do que fomos para nos tornar o que somos: esses tão conhecidos estranhos um para o outro. 

E assim terminamos: suas coisas em uma caixa, as minhas em uma mala. Penso o quanto entregamos um ao outro para sairmos com tão pouco. A casa vazia ficou com a maior parte, com os sorrisos e amores, e levamos apenas o que restou. 

Engraçado o quanto pessoas antes tão íntimas agora não sabem como dizer adeus; o abraço é estranho, apertamos as mãos, isso parece tão certo e tão errado ao mesmo tempo. O peso da chave ainda no chaveiro daquela que por muito tempo foi a nossa casa oprime minha respiração, separo ela das demais e vejo que você faz o mesmo. Um sorriso triste em nossos rostos reflete os últimos pontos. 

Entro no meu carro e você no seu, como já fizemos em várias manhãs; mas dessa vez não voltaremos. Dou a última olhada no retrovisor, você já está partindo. Com isso fecho os olhos e também deixo para trás aquilo que há tanto conhecíamos como amor. 

Daniele Vintecinco





DDI – Delírios, Devaneios e Insensatez - um espaço em que escrevo todos os pensamentos, delírios e devaneios que vêm a minha cabeça, o que é no mínimo uma insensatez. 

25 de abril de 2014

[Filme] 300 - A Ascensão do Império



Título original: 300 - Rise of an Empire.
Duração: 102 min.
Direção: Noam Murro.
Roteiro: Kurt Johnstad e Zack Snyder.
Distribuidora: Warner Bros.
Ano: 2013.
Avaliação: 3/5.
Sinopse: Baseado em Xerxes, quadrinhos de Frank Miller, e narrado no estilo visual de tirar o fôlego do sucesso “300”, o novo capítulo da épica saga leva a ação a um inédito campo de batalha – o mar – à medida que o general grego Themistokles (Sullivan Stapleton) tenta unir a Grécia ao liderar o grupo que mudará o curso da guerra.
“300: A Ascensão de um Império” coloca Themistokles contra as enormes forças Persas, lideradas por Xerxes (Rodrigo Santoro), um mortal que virou deus, e por Artemesia (Eva Green), uma vingativa comandante da marinha persa. (Fonte: Cinepop)
Seu lindo


Comentários:

"300", inspirado nos quadrinhos de Frank Miller, estreou há oito anos. Saí do cinema animada não só com a produção, mas também com a história, tão cheia de elementos empolgantes e frases de efeito. Embora tendo um certo exagero por causa dos espartanos e um pouco de overacting, a história toda era consistente e com um foco bem definido. Além de uma trilha sonora extremamente digna.

Quando soube que sairia uma "continuação" de uma história que já se tornara icônica, fiquei com medo. Não criei expectativas e nem tive surtos de ansiedade. E fiz bem em não agir assim.





O que destaco de modo positivo neste filme, como sempre destaco nos filmes do Zack Snyder, é a fotografia lindíssima, como sempre. O contraste de cores é de tirar o fôlego, trazendo uma identidade única a cada núcleo de personagens do enredo. E não posso negar que estava morrendo para ver a Eva Green, novamente, interpretando uma mulher poderosa de moral (e sanidade) questionável.



"300 - A Ascensão do Império" não é só decepcionante por ser uma "continuação" que está longe de ser tão interessante quanto o primeiro filme. Falta empolgação e envolvimento com os personagens. Há uma falta de foco muito grande, tantos personagens e sub-enredos apresentados e mal aproveitados. 




Acompanhem comigo: temos a origem de Xerxes como essa quase divindade toda-poderosa que vemos no primeiro filme, além de sabermos o porquê (e quem) o motivou a ser assim; temos o passado de Artemísia, comandante da marinha persa, que faz de um tudo para se vingar dos gregos/atenienses; temos os esforços de Themistokles em lutar contra os persas e unir os gregos; além da presença da rainha espartana Gorgo, que perdeu muito da presença marcante que causara no primeiro filme. Além disso, o filme narra eventos que aconteceram antes, durante e depois aos eventos de "300".

Entenderam? Faltou foco.

Se o filme fosse concentrado em apenas um desses sub-enredos, ou se mostrasse a história somente pela perspectiva dos persas, para fins de contraste com os eventos de "300", talvez fosse ficar mais interessante. No final das contas, achei tudo meio cansativo e tedioso. E confesso que senti falta de uma trilha sonora marcante.



23 de abril de 2014

[Filme] Capitão América 2 – O Soldado Invernal


Título original: Captain America: The Winter Soldier
Duração: 135 min.
Direção: Anthony Russo, Joe Russo
Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely
Distribuidora: Disney / Buena Vista
Ano: 2014
Avaliação: 5/5
Sinopse: Capitão América 2 - O Soldado Invernal se passa dois anos após os eventos mostrados em Os Vingadores - The Avengers. Steve Rogers luta para cumprir seu papel no mundo moderno, em parceria com Natasha Romanoff, também conhecida como Viúva Negra, para derrotar um poderoso e misterioso inimigo na cidade de Washington dos dias atuais. (Fonte: Cinemark)


Comentários:
O que dizer de Capitão América – O Soldado Invernal? No mínimo que é um filme muito bem executado e que tirou uma boa parte das birras que eu tenho com o personagem (a única que ainda restou foi contra sua moral inabalável rs) 

A história seguirá a linha temporal após os acontecimentos de Vingadores, com Steve Rogers tentando se adaptar a essa sua nova realidade e lugar no tempo, mas principalmente com qual seria o seu lugar no “sistema”, a quem ele serve e o que busca. Essa é uma parte muito boa para mostrar que o Capitão é um defensor da liberdade, e no primeiro filme o que ameaçava a liberdade era o nazismo mas agora as coisas são mais complicadas, temos o terrorismo e espionagem tecnológicos, o efeito “big brother”, a invasão da privacidade entre tantos outros problemas dos tempos atuais. O filme trouxe bem essa dificuldade de adaptação do Capitão e a dúvida sobre a quem ele realmente serve. 

Outra parte que valeu muito a pena é a interação dele com a Viúva Negra, que neste longa tem um espaço bem maior e que pôde ser bem trabalhado, já que a personagem não possui um filme próprio foi possível conhecer melhor a russa sem que ela “forçasse” seu espaço dentro do filme. Outro personagem que foi apresentado foi o Falcão, e que também teve umas tomadas muito boas (melhores do que eu imaginei que ele fosse ganhar). 

E agora falando da questão que está no título do filme, o Soldado Invernal para mim está fantástico, entendo que para aqueles que acompanham a história do Sentinela da Liberdade dos quadrinhos as adaptações e mudanças da trama original podem ter incomodado em alguns aspectos, mas para mim elas são totalmente superadas quando penso no rumo que o estúdio quer dar para a saga e no ótimo trabalho que fizeram para apresentar o vilão. Um dos aspectos que mais gostei foi a caracterização do Soldado Invernal, tanto física quanto psicologicamente, o uniforme está fantástico e sua “identidade real” ficou muito bem representada. 
Outro ponto é que para aqueles que, como eu, sentiram falta das cenas de ação no primeiro filme não sofrerão dessa abstinência nessa continuação, as cenas de ação estão fantástica, e não só aquelas que envolvem o Capitão, mas sim todas, desde a perseguição de carro com o Fury, passando pelas lutas da Viúva, até os voos do Falcão culminando nas cenas do capitão (que eu não poderia deixar de citar) já que também o filme teve a preocupação de mostrar que por mais que ele seja um super soldado forte pra caramba ele ainda é humano (resumindo, ele apanha, sente dor, cai, sangra etc.)

Acho que já falei demais sobre o filme mas estou bem empolgada com essa produções do Estúdio Marvel que a cada geração de filmes fica muito melhor, esperando agora os próximos filmes. 

Ps1: Vi a cena tão comentada do caderninho (em uma cena o Capitão pega um caderninho em que está anotado sobre coisas que ele precisa se atualizar, essas informações mudam por país que o filme é rodado) e também me pergunto quem acha que é importante ele saber sobre a Xuxa ??? 
Ps2: A aparição do Stan Lee é muito boa. 
Ps3: Neste filme são duas cenas pós-créditos, na primeira eles deixam um bom gancho pro próximo filme do Vingadores e na segunda talvez algo que venha a influenciar um novo filme do capitão ou algum outro dessa franquia.

21 de abril de 2014

[Music Monday] O Vira

Glam made in Brazil, minha gente.
Ando meio obcecada por coisas do período da Ditadura no Brasil e tenho ficado encantada com a criatividade e originalidade de Secos e Molhados. Ney Matogrosso sendo fantástico. Como sempre.


O Vira 


O gato preto cruzou a estrada
Passou por debaixo da escada.
E lá no fundo azul
na noite da floresta.
A lua iluminou
a dança, a roda, a festa.
Vira, vira, vira
Vira, vira, vira homem, vira, vira
Vira, vira, lobisomen
Vira, vira, vira
Vira, vira, vira homem, vira, vira
Bailam corujas e pirilampos
entre os sacis e as fadas.
E lá no fundo azul
na noite da floresta.
A lua iluminou
a dança, a roda, a festa.
Vira, vira, vira
Vira, vira, vira homem, vira, vira
Vira, vira, lobisomen
Vira, vira, vira
Vira, vira, vira homem, vira, vira
Bailam corujas e pirilampos
entre os sacis e as fadas.
E lá no fundo azul
na noite da floresta.
A lua iluminou
a dança, a roda, a festa.
Vira, vira, vira
Vira, vira, vira homem, vira, vira
Vira, vira, lobisomen
Vira, vira, vira
Vira, vira, vira homem, vira, vira




19 de abril de 2014

[Evento] Encontro de Leitores




Oi amigos leitores do Skoob ou simplesmente amigos leitores. Eu, a Milena e a Rose, resolvemos fazer um encontro de leitores paulistas. Para isso, contamos com a sua presença no dia 24/05 às 14h30 no Starbucks da Haddock Lobo nº 60. Saída do metrô Consolação às 14h20.
Vamos nos reunir e falar sobre o que gostamos: livros!
Tragam um livro em bom estado para que possamos fazer um sorteio. Quem vier e trouxer um livro, sairá do encontro com outro livro. Mas traga um livro legal, que outras pessoas gostem de ler.
Para maiores informações, basta mandar um e-mail para os responsáveis. 
Esperamos a presença de vocês! 

17 de abril de 2014

[Filme] Capitão América – O Primeiro Vingador



Título original: Captain America: The First Avenger
Duração: 124 min.
Direção: Joe Johnston
Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely
Distribuidora: Paramount Pictures
Ano: 2011
Avaliação: 4/5
Sinopse:2ª Guerra Mundial. Steve Rogers (Chris Evans) é um jovem que aceitou ser voluntário em uma série de experiências que visam criar o supersoldado americano. Os militares conseguem transformá-lo em uma arma humana, mas logo percebem que o supersoldado é valioso demais para pôr em risco na luta contra os nazistas. Desta forma, Rogers é usado como uma celebridade do exército, marcando presença em paradas realizadas pela Europa no intuito de levantar a estima dos combatentes. Para tanto passa a usar uma vestimenta com as cores da bandeira dos Estados Unidos, azul, branca e vermelha. Só que um plano nazista faz com que Rogers entre em ação e assuma a alcunha de Capitão América, usando seus dons para combatê-los em plenas trincheiras da guerra. (Fonte: AdoroCinema)

Comentários: 
Não vi esse filme antes por vários motivos (nenhum realmente lógico) não fui ao lançamento e o tempo acabou passando, ai fui adiando por relapso, assisti todos do Homem de Ferro, Thor e por fim os Vingadores, depois foi uma mera resistência irracional, já tinha seguido em frente e não senti falta, então não fiz questão, agora, com o lançamento de Capitão América e o Soldado Invernal decidi parar de besteira e ver o primeiro filme dessa série. 

Neste filme veremos a origem do capitão que se deu na época da Segunda Guerra e na luta contra o nazismo. Gostei da representação da juventude  Steve Rogers, o garoto franzino mas que quer servir a pátria e fazer a sua parte, O Capitão América é um dos heróis que conheço que mais preza a sua “moral”, pelo que é certo e o amor ao seu país e o filme mostrou todos esses elementos muito bem. 

Após ser escolhido por um cientista para fazer parte do projeto do super-soldado Rogers sofre uma enorme transformação física se tornando o que podemos ver nos filmes posteriores, mas por ser o único espécie bem-sucedido do experimento é impedido de ir para guerra se tornando uma jogada de marketing. O filme não teve pressa para mostrar essa parte o que foi bem legal para mostrar as reviravoltas da história até por fim ele realmente se tornar O Capitão América, um herói e um símbolo para o exército. 

Gostei bastante do filme, a produção e toda a trajetória de Steve Rogers foi muito bem mostrada e exatamente por isso as cenas de ação em si não são muitas (como estamos acostumados com os outros filmes Marvel), mas isso não desmerece em nada esse filme. E agora que venha Capitão América e O Soldado Invernal. 

15 de abril de 2014

[Livro] Esconda-se – Lisa Gardner


Livro: Esconda-se
Titulo Original: Hide
Autor: Lisa Gardner
Editora: Novo Conceito
Ano: 2013
Avaliação: 4/5
Sinopse:Uma mulher que foi obrigada a fugir — desde criança— de uma possível ameaça. Uma ameaça que seu pai via em todo lugar, mas que a polícia nunca considerou. Um antigo e desativado sanatório para doentes mentais que pode ter muito mais a esconder entre suas paredes do que homens e mulheres entorpecidos por remédios. Uma história de rancor entre membros de uma mesma família que nunca conseguiram superar os episódios de violência doméstica que presenciaram. Um pingente que foi parar em mãos erradas — e a cena de um crime brutal: seis meninas mortas e mumificadas há mais de trinta anos. Agora, cabe à famosa detetive D.D. Warren descobrir quem foi o serial killer que cometeu esta atrocidade e que motivação infame deformou sua mente. Acompanhe D.D. Warren na solução de mais este complexo caso e encontre o inimaginável que está por trás de pessoas aparentemente comuns!

Comentários:
Depois de algumas leituras decidi que estava na hora de ler um policial, e com isso acabei mergulhada em Esconda-se, de Lisa Gardner. Esse é um daqueles livros que fazem parte de uma série, mas apenas por conter como detetive o mesmo personagem, no caso D.D. Warren, esse é o segundo livro mas eles podem ser lidos independentemente por possuírem histórias fechadas. 
Gostei de como Lisa trata o caso, ela faz abordagens de personagens e situações diferentes para, conforme a trama se desenvolve, fazer a ligação entre todos para chegar a um fim comum. 
A história começa com a sargento D.D. Warren descobrindo uma cena de crime em um antigo hospital psiquiátrico que envolve meninas e pedindo ajuda ao seu amigo Bobby por talvez ter uma ligação com um antigo caso que o envolva. Em outra ponta da história temos Annabelle uma mulher que passou a vida inteira fugindo e se escondendo de algum mal. 
A trama se desenvolve e se cruza a partir desse ponto, e eu gostei bastante, a leitura foi rápida e apesar de eu ter descoberto para que direção o caso apontava a resolução como um todo me foi surpreendente e como um todo foi bem montada, algumas pequenas pontas e detalhes ficaram esquecidos, mas a história foi muito bem amarrada e a solução não é totalmente do estilo “tirada da cartola”, um elemento-chave só é revelado no fim mas todos os elementos que o envolvem são encontrados na narrativa e a autora, apesar de gostar de confundir o leitor, deixa pistas durante toda a história. 
Os personagens são bem trabalhados, mas vou ser sincera que ao ler a sinopse, a quarta-capa e a orelha tinha quase certeza que a personagem principal da história seria a D.D. Warren e não poderia estar mais enganada, na verdade a participação dela não é a chave do livro tornando na verdade como protagonistas Bobby e Annabelle. 
Apesar de alguns pequenos elementos que achei que ficaram esquecidos eu gostei bastante do livro, adorei o estilo da narrativa de Lisa Gardner e todo o desenvolvimento e rumo da história, e agora quero muito ler os outros livros dela (até pra saber um pouco mais da D.D. Warren) 



13 de abril de 2014

[DDI] Uma mulher para casar



Uma vez me perguntaram se eu era uma mulher para casar e não soube responder diretamente. 

Não sigo comandos, não sou boa com ordens diretas, não sei responder apenas sim sem contestar. Na verdade, minha especialidade é perguntar “Por que?”, gosto das coisas claras, não sei ser apenas obediente; mas garanto que sei respeitar, e acima de respeitar você ou a relação, eu me respeito e isso é um grande passo. 

Não sei me dividir, não sei apenas mostrar meu lado bom, não consigo ser apenas uma parte; ou me terá por inteira ou não terá nada. Sou intensa, meus sentimentos possuem força e vontade, não sei me reprimir e, na verdade, não quero aprender. 

Não poderá dizer como me portar, bebo ocasionalmente e rio frequentemente, aquela risada alta e profunda, que vem do diafragma, que faz os olhos lacrimejarem, aquela que expressa o quanto nos contentamos com alguma coisa; e existe jeito melhor de rir? Falo alto quando acho necessário e também sei colocar bem os palavrões em uma conversa, isso não me torna menos mulher, mas sim mais humana. 

Não poderá me dizer o que vestir, minhas roupas não me representam mas me agradam e eu não poderia abrir mão disso, seria como abrir mão de parte de mim, da minha imagem, do como quero aparecer para o mundo. Meus decotes ou minhas calças não são uma exibição, são uma escolha que envolve apenas a mim e não o que os outros irão pensar. 

Não poderá me dizer aonde ir; a desculpa de que sou mulher não é uma boa justificativa, vou aonde meus pés e minha mente acharem melhor. Posso te amar, mas sei cuidar de mim, sempre o fiz. 

Não poderá me dizer o que ser, sou um ser formado; acima de mulher, adulta ou qualquer outro adjetivo, sou uma identidade, construída de momentos, lágrimas, sorrisos, tombos e aprendizados, muitos dos quais você não estava presente ou ignora. Tudo isso pertence a mim e não está aberto para alteração. 

Uma vez me perguntaram se eu era uma mulher para casar; hoje sei a resposta e digo que tudo depende de “com qual tipo de mulher você quer casar?”

Daniele A. Vintecinco

DDI – Delírios, Devaneios e Insensatez - um espaço em que escrevo todos os pensamentos, delírios e devaneios que vêm a minha cabeça, o que é no mínimo uma insensatez. 

11 de abril de 2014

Graphic Novels, Mangás…


Primeiro quero dizer que minha experiência com Graphic Novels e mangás é bem limitada, com quadrinhos de heróis (DC/Marvel) conheci com meu pai, que durante um tempo foi um bom colecionador dessas revistas e me apresentou bastante coisa, porém nunca me aprofundei em nenhum (a não ser nos da Mônica), a maior parte das histórias conheço pois meu pai adorava as contar para mim (pra que contar uma história de princesa se pode narrar uma aventura do Surfista Prateado?) mas depois da infância nunca mais li quadrinhos (tirando alguns do X-Men, que assumo até hoje serem um dos meus favoritos). Com outros estilos de Graphic Novels também não tenho nenhum tipo de familiaridade, conheço as histórias e os enredos mais uma vez de uma experiência oral, amigos tão empolgados que me contaram o que leram. Com os mangás tive apenas uma pequena apresentação pois fiz o ensino médio em uma escola em que a maioria dos alunos era oriental, conheci alguns mas nunca levei muito adiante e após me formar nunca mais peguei nessas revistas.



Porém agora, depois de anos das minhas experiências anteriores, minha curiosidade e vontade de navegar nesse universo voltaram com carga total, hoje acompanho aquela coleção da Salvat de clássicos da Marvel e estou comprando alguns mangás que vejo em resenhas. Tenho uma lista de Graphic Novels que quero ler também. Como afirmo na descrição do blog que o Olhos é uma representação de mim, tenho que dizer que esses estilos entraram na minha lista de interesses, e consequentemente entrarão no blog também. Com isso quero deixar claro que começarei a fazer posts sobre o que estou lendo, mas eles serão do ponto de vista de alguém inexperiente e com pouco conhecimento, todavia uma entusiasta muito empolgada em saber cada vez mais (quem tiver indicação, dicas ou qualquer comentário sobre essa nova jornada pode falar). 


9 de abril de 2014

[Série] Fringe – Quinta Temporada



Título Original: Fringe
Temporada: 5
Ano: 2012/2013
Roteirista: J.J. Abrams
Emissora: Fox
Episódios: 13
Avaliação:  um mistério rs, mas para não deixar sem nota 4/5 


Comentários:  
Essa foi uma das séries que mais demorei para ter coragem e por fim terminar de assistir a última temporada. Muitos foram os motivos, medo, ansiedade de mais que faria com que eu não gostasse, não entender qual o rumo o fim da temporada anterior estava propondo, e não querer ver que talvez eu pudesse perder algum dos meus personagens favoritos. 
Mas depois de meses e uma boa preparação psicológica tomei coragem e assisti ao final de Fringe, uma das minhas séries preferidas e tenho que confessar que mesmo neste momento em que escrevo a resenha tenho dificuldade em estabilizar minha opinião, então já que a confusão parece que não vai passar tão cedo vou transmiti-la e quem sabe no fim as coisas fiquem mais claras rs. 

Essa temporada foi diferente do todas as outras, tanto nos cenários, como no tempo e até nos personagens. Somos surpreendidos com um pulo no tempo que leva os personagens para o ano 2036, após a invasão dos Observadores que possuem um governo ditatorial na terra e seguem seus próprios propósitos não se importando com os humanos. Com isso conhecemos Etta, filha de Peter e Olivia, que já mais velha luta na Resistência, grupo que luta contra a dominação dos Observadores.  Descobrimos que Peter, Walter. Astrid e Olivia ficaram presos no âmbar por 21 anos e por fim são libertados por sua filha e devem lutar ao seu lado enfrentando inúmeras e enormes dificuldades. 

Apesar de ser uma temporada curta (13 episódios) apenas para dar um fim à série a carga emocional trabalhada é enorme, enquanto nas temporadas anteriores havia episódios para descontrair ou não muito densos entre os momentos de tensão, agora é um choque emocional do começo ao fim, a divisão Fringe enfrenta problemas, perdas, dores e incertezas sempre e isso foi uma das coisas que mais me agradou. 
Uma das dúvidas que tinha comentado anteriormente era sobre o roteiro, não comprar totalmente a ideia da invasão dos Observadores, apesar de as situações serem bem conduzidas o porquê de tudo não me convenceu. 

A atuação de todos é espetacular, mas como nas resenhas anteriores faço uma menção honrosa à John Noble (Walter Bishop), o personagem que sempre tem uma carga enorme de história e emoções nas temporadas anteriores teve tudo isso de forma intensificada e compactada no pequeno número de episódios e deu conta totalmente do recado. 

Fiquei muito feliz da série ter tido a oportunidade de ter um fim completo, não apenas ter sido cancelada sem mais nem menos, mas ainda não sei se fiquei feliz com o fim, primeiro aconteceu o que eu mais temia e o que eu menos queria então fiquei totalmente triste e achei que o último episódio foi um tanto corrido. Porém não posso negar que me emocionei com o fim e que apesar de todas as minhas resalvas foi um final digno de uma série ganhou um grande espaço no meu coração. 


Resenhas: 

7 de abril de 2014

[Music Monday] On My Own

Como estou em uma fase musical decidi trazer essa música por vários motivos, primeiro que ela faz parte de um dos musicais que mais amei, Os Miseráveis, segundo que é uma das mais lindas e na interpretação de Samantha Barks ficou perfeita e terceiro porque torci tanto pela Eponine.





On My Own

On my own
pretending he's beside me
All alone I walk with him till morning
without him I feel his arms around me
and when I loose my way I close my
eyes and he has found me

In the rain the pavement shines like silver
All the lights are misty in the river
In the darkness the trees are full of starlight
and all I see is him and me forever and forever

And I know it's only in my mind,
that I'm talking to myself and not to him.
And although I know that he is blind,
still I say, there's a way for us.

I love him
But when the night is over
He is gone- the river's just a river
Without him the world around me changes
the trees are bare and everywhere the
streets are full of strangers

I love him
But every day I'm learning
All my life I've only been pretending
Without me his world would go on turning
a world that's full of happiness
that I have never known

I love him
I love him
I love him
but only on my own




5 de abril de 2014

[Livro] Extraordinário - R.J. Palacio



Livro: Extraordinário
Titulo Original: Wonder
Autor: R.J. Palacio
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Avaliação: 5/5
Sinopse:August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.
Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade - um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo tipo de leitor. (Fonte: Skoob)

Comentários: 
Fazia um bom tempo que eu queria ler esse livro, um dia na Livraria Cultura o vi em promoção então matei a vontade e, além disso, fui apresentada a uma história linda, doce e, para mim, totalmente reflexiva. 
Aqui conhecemos a história de August, ou como é conhecido Auggie, um garoto de 10 anos que possui uma grave deformidade facial. Devido a isso ele tinha sido educado em casa pela mãe, porém seus pais decidem que não podem mantê-lo em uma redoma para sempre e o matriculam em uma escola, já é complicado ver toda a descriminação que Auggie sofria antes da escola, o como as pessoas não conseguiam encará-lo ou os comentários, porém agora ele terá que enfrentar um novo desafio, conviver com outras crianças (e como o próprio livro diz, crianças podem ser cruéis) e encarar todos os comentários e desafios que se seguem. 
Essa narrativa me ganhou logo de começo, o tema é pesado e complicado, mas o ponto de vista é tão doce, começamos o livro em primeira pessoa, com o próprio August contando sobre sua vida, e sua visão da vida, sua noção da realidade, o seu amadurecimento, tudo isso me encantou, ele é tão sincero mas mesmo assim tão leve, afinal apesar de todos os seus problemas ele ainda é um garoto de 10 anos. Porém as surpresas da narrativa não param por ai, pois Palacio traz mais pontos de vista, como da irmã mais velha de Auggie, que é tão humana afinal ela ama seu irmão e entende que seus pais tenham que dedicar mais tempo a ele, mas também tem sentimentos de uma adolescente. Amigos de Auggie que sofrem simplesmente por escolherem estar do lado dele e tantas outras pessoas no seu convívio. Essa técnica trouxe tanta riqueza à história, pois foi possível ver rotina comum das pessoas e como suas vidas mudam após conhecer o garoto. 
Os personagens são outro elemento muito importante, podemos ver a família de Auggie e como eles mudaram e se adaptaram por ele, mas ainda assim podemos ver crianças amigas dele e como elas mudam e evoluem durante toda a trajetória, todos os personagens são tratados de forma única e compõem a história como um todo. Sem contar que é possível ver a evolução de todos eles, desde os pais até as crianças. 
Extraordinário é um daqueles livros com uma temática pesada, mas uma escrita e uma abordagem singelas e tão doces que fazem com que o leitor repense sua própria vida, no meu caso me fez pensar em quanto acabo reclamando de coisas que estão a minha disposição mudar e quanto eu tenho na verdade a valorizar. Realmente recomendo essa leitura. 


3 de abril de 2014

[Filme] Valente



Título original: Brave
Duração: 95 min.
Direção: Mark Andrews e Brenda Chapman
Roteiro: Brenda Chapman
Distribuidora: Disney
Ano: 2014
Avaliação: 5/5
Sinopse: A jovem princesa Merida foi criada pela mãe para ser a sucessora perfeita ao cargo de rainha, seguindo a etiqueta e os costumes do reino. Mas a garota dos cabelos rebeldes não tem a menor vocação para esta vida traçada, preferindo cavalgar pelas planícies selvagens da Escócia e praticar o seu esporte favorito, o tiro ao arco. Quando uma competição é organizada contra a sua vontade, para escolher seu futuro marido, Merida decide recorrer à ajuda de uma bruxa, a quem pede que sua mãe mude. Mas quando o feitiço surte efeito, a transformação da rainha não é exatamente o que Merida imaginava... Agora caberá à jovem ajudar a sua mãe e impedir que o reino entre em guerra com os povos vizinhos. (Fonte: AdoroCinema)

Comentários: 
Sinceramente não sei por que demorei tanto para assistir esse desenho, Merida decididamente é uma das minhas princesas preferidas até agora (só está junto com a Bela do Bela e a Fera). 
Toda a animação é muito bem feita e inovadora, primeiro por explorar um ambiente diferente, afinal agora a história se passa nos tempos ancestrais nas Terras Altas da Escócia e posso dizer que só esse elemento foi um dos grandes atrativos de toda a história já que explora bem os costumes, um reinado com um rei barulhento, lordes guerreiros e muita gaita de foles. 

Merida é uma princesa filha do rei Fergus, que teve um encontro com um urso uma vez e isso o marcou para sempre, diferente dos reis já tratados em desenhos anteriores este é brincalhão, fala alto e adora uma luta. Merida também é filha da rainha Elinor, o oposto de seu marido, ela se comporta como uma rainha, mantendo todas as regras e sendo quem na verdade mantém a ordem do reino. Elinor ensina sua filha a ser como ela, uma futura grande rainha e para isso ela terá que casar com um dos filhos dos lordes, porém Merida não quer seguir os planos de sua mãe, na verdade ela quer sua liberdade e irá tentar lutar por ela. 
A caracterização de todos os personagens é muito bem feita, desde os três irmãos pestes, o rei e a rainha mas principalmente Merida, ela foge totalmente do estereótipo da princesa, ela é uma arqueira e lutadora, possui os cabelos que são impossível de serem domados e quer sua liberdade antes de querer um casamento, simplesmente a adorei. 

Porém o que mais me encantou nessa história toda é que não se trata da busca pelo príncipe, mas sim da relação ente Merida e Elinor, o conflito de gerações e o amor entre uma mãe e uma filha independente das diferenças. 
Merida, você me representa. 


1 de abril de 2014

[Livro] A Guerra dos Fae - Elle Casey



Livro: A Guerra dos Fae – As Crianças Trocadas
Titulo Original: War of the Fae
Autor: Elle Casey
Editora: Geração Jovem
Ano: 2013
Avaliação: 4/5
Sinopse:Jayne Sparks, rebelde e língua afiada de dezessete anos e seu melhor amigo, tímido e estudioso Tony Green tem uma existência muito típica de escola secundária, até que vários incidentes aparentemente não relacionados convergem, causando uma cascata de eventos que mudam suas vidas para sempre. Jayne e Tony, junto com um grupo de adolescentes em fuga, são sequestrados e enviados para uma floresta, onde nada e ninguém são o que parecem. Quem sairá triunfante? E o que eles serão quando o fizerem?

Comentários: 
Oi gente, essa é mais uma participação minha no blog da Mi, Memories of the Angel, se quiserem saber o que achei do livro deem uma passadinha