29 de novembro de 2014

[Livro] Eternidade por um fio – Ken Follett



Livro: Eternidade por um fio (terceiro livro da trilogia O Século)
Titulo Original: Edge of Eternity
Autor: Ken Follett
Editora: Arqueiro
Ano: 2014
Avaliação: 5/5
Sinopse:Durante toda a trilogia O Século, Ken Follett narrou a saga de cinco famílias americana, alemã, russa, inglesa e galesa. Agora seus personagens vivem uma das épocas mais tumultuadas da história, a enorme turbulência social, política e econômica entre as décadas de 1960 e 1980, com a luta pelos direitos civis, assassinatos, movimentos políticos de massa, a guerra do Vietnã, o Muro de Berlim, a Crise dos Mísseis de Cuba, impeachment presidencial, revolução... e rock and roll! Na Alemanha Oriental, a professora Rebecca Hoffman descobre que durante anos foi espionada pela polícia secreta e comete um ato impulsivo que afetará sua família para o resto de suas vidas. George Jakes, filho de um casal mestiço, abre de mão de uma brilhante carreira de advogado para trabalhar no Departamento de Justiça de Robert F. Kennedy e acaba se vendo não só no meio do turbilhão da luta pelos direitos civis, como também numa batalha pessoal. Cameron Dewar, neto de um senador, aproveita a chance de fazer espionagem oficial e extraoficial para uma causa em que acredita, mas logo descobre que o mundo é um lugar muito mais perigoso do que havia imaginado. Dimka Dvorkin, jovem assessor de Nikita Khruschev, torna-se um agente primordial no Kremlim, tanto para o bem quanto para o mal, à medida que os Estados Unidos e a União Soviética fazem sua corrida armamentista que deixará o mundo à beira de uma guerra nuclear. Enquanto isso, as ações de sua irmã gêmea, Tanya, a farão partir de Moscou para Cuba, Praga Varsóvia e para a história. Como sempre acontece nos livros de Ken Follett, o contexto histórico é brilhantemente pesquisado, a ação é rápida, os personagens são ricos em nuances e emoção. Com a mão de um mestre, ele nos leva a um mundo que pensávamos conhecer, mas que nunca mais vai nos parecer o mesmo. (Fonte: Skoob)

Comentários: 
Em Eternidade por um fio, Ken Follett encerra magistralmente a trilogia O Século e devo confessar que após acompanhar seus personagens por tantas páginas, muitos anos e diversas gerações foi quase doloroso fechar o último livro. 
O livro se passa alguns anos depois de o final de O Inverno do Mundo e com o foco em outros personagens na nova geração que está crescendo em um mundo repartido por preconceitos e por política, entre a tensão da disputa entre o capitalismo e o comunismo. 
Os núcleos basicamente são os mesmos, Follett trará personagens americanos, alemães, ingleses e russos, conseguindo abordar com isso o amplo panorama que se mantém entre os anos de 1961 a 2008. 
Nas obras anteriores eu já tinha me apaixonado pelo estilo narrativo do autor, o como ele consegue humanizar situações que até então eram apenas parte de uma aula de história e nesse livro ele se superou nesse intento, pois é a primeira vez em que efetivamente não há uma guerra de confronto físico (que geralmente aumenta o grau de empatia do leitor com o personagem já que seus sofrimentos e dilemas são mais palatáveis), mas a maioria das disputas são jogadas políticas, na verdade esse é o grande enfoque do livro e chega a ser repetido por vários personagens: as pessoas podem lutar por seus ideais e sonhos mas o que realmente muda o mundo são os governos. 
Logo no início um dos focos está no personagem George, um negro que acabou de se formar e tenta construir sua carreira e acima disso, luta pelos direitos civis, e com ele e os personagens que o rodeiam conhecemos e imergimos em um aspecto marcante da história dos Estados Unidos a discriminação com os negros, e magistralmente Follett coloca personagens fictícios participando de situações reais de preconceito e segregação fazendo o leitor mergulhar na dor e na descriminação que cada um deles sofreu, permitindo entender como e porque tudo demorou tanto para mudar. 
Saindo desse ponto temos o conflito principal de Eternidade por um fio, a “guerra” entre o capitalismo e o comunismo, na verdade a disputa entre os EUA e a URSS para tentar provar qual dos seus regimes era o melhor para o futuro e como, na verdade, as pessoas sobre essas políticas acabaram sendo prejudicadas enquanto seus governantes brigavam para mostrar quem era o melhor. Vários conflitos sobre essas diferenças são tratados no livro, como Cuba, Vietnã, Praga, entre outros, mas a lente do autor se foca principalmente no país que virou símbolo dessas diferenças: a Alemanha, a nação dividida entre o capitalismo e o comunismo. 
Um dos mecanismos narrativos de Follett para dar veracidade à suas histórias é usar personagens não ficcionais interagindo com personagens criados pelo autor e nessa obra ele se aprofundou mais ainda nessa técnica, pois grande parte dos personagens está inserido ou evolvido nos contextos políticos e a interação necessária é maior, além de trazer muitos nomes conhecidos como: Martin Luther King, John e Bobby Kennedy, George Bush, Gorbachev, entre outros. 
Confirmei o quanto o livro e a escrita eram muito bons no momento em que me vi torcendo por rumos de ações que eu já sabia o resultado por se pautarem em fatos históricos, como, por exemplo, ficar apreensiva se os EUA ia ou não bombardear Cuba, mesmo sabendo que historicamente isso não aconteceu. Essa apreensão aconteceu em vários momentos durante a narrativa, e o autor conseguiu manter um clima de tensão e até de surpresa com fatos históricos popularmente conhecidos. 
Tenho apenas uma pequena resalva sobre esse livro, por ser o de passagem de tempo mais longa até agora, Follett acaba passando desenvolvendo muito os seus personagens e o leitor acompanha seus envelhecimentos, alguns conhecemos adolescentes e terminam o livro com quase 50 anos. Com isso, no fim, alguns personagens não tiveram seus desfechos definidos, não que haja pontas soltas, por que não há, mas para mim faltou uma pequena conclusão mais definitiva para eles. 
Como sempre disse desde a primeira resenha da Trilogia O Século, e que neste último livro se confirmou, essa não é uma leitura sobre fatos históricos, mas sim uma leitura sobre a natureza humana e suas falhas e grandezas e como essas sim moldaram a história. 


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